Bolsa

Incerteza eleitoral estimula mercado de opção

25/08/2014

Investidores institucionais, estrangeiros e pessoas físicas concentram apostas em ações e operações com vencimentos nos últimos três meses do ano

Mesmo influenciado pelo período da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, que diminuiu o volume financeiro no mercado à vista de ações, o montante negociado no segmento de opções de ações e de índices aumentou 30% em julho de 2014, para a média diária de R$ 219,272 milhões, ante R$ 168,443 milhões obtidos no mês anterior.

Na comparação com igual mês de 2013, o segmento de opções (derivativos sobre ações e índices) recuperou-se do ambiente de menor volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) e avançou 1,5%.

"Essa procura por opções cresceu tanto por investidores institucionais, no caso fundos de investimentos, tesouraria de bancos, clientes estrangeiros e pessoas físicas. Um dos grandes motivos para isso é o cenário político atual. Nós estamos vendo um grande número de clientes montando estratégias de proteção [hedge] e também investidores especulando antes da divulgação de pesquisas eleitorais", diz o sócio-diretor da corretora XP Investimentos, Raony Rossetti.

O executivo aponta que há uma concentração de operações com vencimentos em outubro, novembro e dezembro quando já haverá uma melhor definição da corrida presidencial, mas reservou-se ao direito de não revelar quais são as principais estratégias utilizadas em casos de vitória da situação (Dilma Rousseff do PT) ou da oposição (Aécio Neves do PSDB ou Marina Silva do PSB).

Rossetti explicou que além das tradicionais opções de compra ou de venda formadas em torno dos preços das ações da Petrobras e da Vale, os investidores também estão procurando por opções do índice Ibovespa, da BM&FBovespa, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, CSN, Usiminas e Gerdau. "Há cinco anos, as opções eram restritas a Petrobras e Vale. Hoje um programa de market markers [formadores de mercado] oferece liquidez [capacidade de negociação mais rápida] para as demais opções, e o investidor vê o preço direto na tela", disse Rossetti.

Na mesma linha, o sócio-diretor da Easynvest Título Corretora, Marcio Cardoso também aponta uma maior procura recente por opções de compra de Petrobras, Vale, Ibovespa, BM&F e bancos. "Essa concentração é por causa das expectativas em torno do resultado das eleições. Há incerteza sobre quem será o novo presidente, e qual será a política econômica independente de quem será o presidente [ou presidenta]", diz.

Cardoso explicou que o preço (prêmio) das opções é formado por cinco fatores - o preço à vista, o preço do exercício, a taxa de juros, o tempo e a volatilidade. "O prêmio da opção é uma função matemática e a volatilidade é a única variável que não se consegue controlar. O derivativo é muito mais nervoso que o ativo", alertou sobre os conceitos de risco do segmento de opções.

Educação financeira

Quanto ao comportamento do investidor brasileiro, a preferência (mais de 80%) é por opções de compra, derivativo em que os clientes se protegem (hedge) da alta ou apostam na alta de um ativo (ação ou índice). Enquanto as opções de venda registram menor preferência do investidor.

Em termos didáticos da própria BM&FBovespa, o investidor que adquire opções de compra, paga por elas uma quantia em dinheiro (o prêmio) na abertura da operação. Em decorrência disso, ele passa a ser titular das opções de compra, tendo, portanto, o direito de adquirir as ações pelo preço de exercício, se isso for interessante para ele. Na outra ponta, o tomador recebe o prêmio e pode ter a obrigação de cumprir o preço no dia do exercício futuro.

Na semana passada, a opção de compra mais procurada estava próxima do preço atual, era a Petri22, que apontava a ação PN da Petrobras a R$ 22 no vencimento de setembro. Na última sexta-feira, o papel PN da Petrobras fechou em R$ 20,90.

Fonte: DCI
Autor: Ernani Fagundes