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Outra Copa

07/08/2014

Colocamos os 32 países que participaram do Mundial de futebol 2014 para competir em termos econômicos... infelizmente, a taça não é nossa

O Brasil ingressou na Copa do Mundo de 2014 como um dos favoritos para levar a taça da principal competição de futebol do planeta. Entretanto, em vários outros crítérios, o País não passaria da primeira fase em um torneio com as 31 seleções que participam do campeonato. A CAPITAL ABERTO selecionou para esta edição quatro aspectos relacionados à economia e ao mercado de capitais e analisou dados disponíveis em diversas fontes. Na copa simulada pela reportagem, as disputas seguem a mesma configuração de grupos definida para o Mundial. Confira os resultados a seguir:

Torneio nº 1: Onde é mais fácil fazer negócios?
O Brasil fica para trás já na fase de grupos. México, em 53º lugar no ranking do Banco Mundial, atualizado em 2013, passa em primeiro, seguido pela Croácia, em 89º. Menos mal que o Brasil não seja o último colocado do grupo; na 116ª posição, fica à frente de Camarões, na lanterna em 168º. O grupo G se destaca por ter nações onde, em geral, é fácil fazer negócios. A última colocada, por exemplo, é Gana, na 67ª posição. Classificam-se Estados Unidos e Alemanha, deixando os portugueses para trás mesmo com uma boa colocação: 31º. Destaque também para o dificílimo grupo F: Argentina passa em primeiro, mesmo estando atrás do Brasil, na 126ª posição. É que todos os seus companheiros do grupo são ainda mais retranqueiros.

A competição segue com um belo confronto nas quartas-de-final entre a Austrália (11ª) e o Reino Unido, que ganha por muito pouco (10º). Mas os britânicos nadam, nadam e morrem na praia. A final é entre Estados Unidos e Coreia do Sul. Os americanos, nativos do quarto país do mundo em que é mais fácil negociar, ganham a competição dos coreanos, em sétimo. Somente três países, que não vieram para a Copa do Brasil, poderiam tirar o título dos Estados Unidos: Cingapura, Hong Kong e Nova Zelândia — primeiro, segundo e terceiro colocados respectivamente, segundo o Banco Mundial.

Torneio nº 2: Em que país há mais liberdade econômica?
A grande campeã vem da Oceania: a Austrália, cujo futebol ainda deixa a desejar — ela foi eliminada na primeira fase do Mundial. Nesta copa, porém, o país leva o título de nação com mais liberdade econômica entre os 32 competidores, de acordo com o ranking de 2014 da Heritage Foundation. A final é um jogo difícil: o terceiro país mais livre do mundo enfrenta a Suíça, quarta colocada. Os australianos se destacam por direitos à propriedade sólidos e pouca burocracia, o que facilita a conclusão de negócios, a contratação de pessoas e a circulação de recursos. O governo intervém razoavelmente pouco na economia; os cidadãos e as empresas têm facilidade para importar e exportar produtos e realizar investimentos dentro e fora do território nacional.

Hong Kong e Cingapura são, respectivamente, as economias mais liberais do globo. Como não participaram da Copa deste ano, entretanto, ficam de fora desta competição. O Brasil também não passa da primeira fase, pois ocupa a 114ª posição. Ao contrário de México (55º lugar) e Croácia (87º), que seguem adiante. O Irã é o menos livre, ficando em 173º lugar. São muitos os fatores que empurram o Brasil para baixo: burocracia para abrir empresas e contratar pessoas; carga tributária alta e complexa; subsídios agrícolas elevados; dificuldade para importar bens de consumo; e alta participação do governo em vários setores da economia, como na concessão de crédito, por exemplo.

Torneio nº 3: Qual país tem mais companhias listadas?
E o Brasil passa para a segunda fase, em primeiro lugar do grupo A! Conforme dados do Banco Mundial de 2012, relativos ao número de empresas nacionais listadas em bolsa, temos 353 companhias abertas. É pouco, se comparado às 4.102 dos campeões Estados Unidos. Não fazemos feio, contudo, se comparados a muitos países desenvolvidos, embora eles sejam significativamente menores em população: a Bélgica tem 154 companhias, a Itália conta com 279 e a Suíça, com 238. Apesar de avançarmos para as oitavas-de-final, não passamos daí: a Austrália ganha, com suas quase 2 mil companhias listadas. A final dos Estados Unidos é contra a Espanha, com 3.167 empresas.

Torneio nº 4: Qual mercado de ações se valorizou mais nos últimos 18 meses?
Hora de analisar o retorno financeiro puro. Se, em janeiro de 2013, um investidor tivesse aplicado R$ 100 em 32 carteiras diferentes, cada uma espelhando o principal índice de ações de um país competidor, qual delas teria trazido maior valorização? (Desconsideram-se os impostos sobre ganho de capital.) Alguns times estariam eliminados de cara: a Bolsa de Camarões, por exemplo, não tem mais atividade desde fevereiro do ano passado. Não foram encontrados dados sobre os índices dos pregões de Uruguai, Equador, Costa do Marfim, Nigéria, Honduras, Bósnia e Herzegovina e Argélia, em nenhuma das três fontes consultadas: Economatica, Bloomberg e Market Watch. A campeã é justamente a maior rival do Brasil no futebol: a Argentina.

O índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, se valorizou 167% em 18 meses. Em um país onde a inflação oficial foi de 10,9% em 2013, muitos recorreram ao mercado de capitais para tentar rentabilizar seus recursos. O segundo lugar ficou com Gana, que teve uma valorização de 98% no seu principal índice. Mas, vale destacar, os hermanos têm apenas 101 empresas listadas, enquanto no país africano elas são menos ainda: 31. Isso contribui para a grande volatilidade do índice desses países.

Entre as nações desenvolvidas, o Japão foi mais longe: seu Nikkei 225 se valorizou 43%. Quem investiu nos Estados Unidos não se deu mal: viu o patrimônio aumentar em 33%, considerando o S&P 500. Já o Brasil… Bem, com a desvalorização de 13% do Ibovespa, escapamos de ser os lanterninhas por muito pouco. O Chile ficou em último lugar, com perda de 14%.

Obs.: Nesta simulação, é o Reino Unido que compete (no mundo futebolístico, é a Inglaterra). Isso porque os dados utilizados não especificam as quatro nações governadas por Elizabeth II: Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

Autor: Bruna Maia Carrion

Fonte: Revista Capital Aberto - Edição 131 - Julho de 2014

Link: http://bit.ly/1s8U9Zb