Brasil

Brasileiros voltam ao mercado como chefes

26/11/2015

O número de empregadores subiu 7,9% em um ano no Brasil. Hoje, 4 milhões de pessoas têm seus próprios negócios e empregam ao menos um funcionário

A quantidade de empregadores cresceu 7,9% em um ano no Brasil. Recém-demitidos estão usando o dinheiro da indenização para abrir novas empresas com um ou mais funcionários.
Entre o terceiro trimestre de 2014 e igual período deste ano, 298 mil empresários passaram a fazer parte do grupo de empregadores, se tornando chefes. Já são 4,056 milhões os brasileiros que pagam o salário de ao menos uma pessoa.
As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio trimestral (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostrou também que 1,2 milhão de vagas com carteira assinada foram fechadas em um ano.
Para Guilherme Afif, presidente do Sebrae Nacional, "quando vem a crise, a ideia de trabalhar por conta própria acaba se apressando e, sem dúvida, há um aumento no número de MEI [micro empreendedor individual], micro e pequenas empresas".
Adriana Beringuy, técnica do IBGE, concorda: "muitos dos novos empregadores são pessoas que foram demitidas e usaram os recursos da indenização para abrir novos negócios, empregando um, dois ou três funcionários".
Segundo Antônio Carlos Porto Gonçalves, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), "a maioria dessas novas empresas é muito pequena e não gera grande impacto econômico". Ele exemplifica que "muitos dos novos negócios são pequenas franquias". Entretanto, o especialista pondera que "o lado positivo é que mais gente é empregada, inclusive o proprietário".
Entre janeiro e outubro deste ano, as micro e pequenas empresas acumulam saldo positivo (65.826) na geração de empregos formais, enquanto que as companhias médias e grandes registram fechamento de 896.513 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social.
Afif comenta que as empresa menores são as que mais "seguram as pontas em termos de emprego", já que estas têm "grande dependência de seus dois ou três empregados e não podem fazer cortes como as empresas maiores".
Sobre o futuro, Gonçalves estima que "enquanto o desemprego seguir aumentando, o número de empregadores vai subir. E quando a economia começar a se recuperar, é possível que eles voltem a ocupar cargos em empresas maiores".
O rendimento dos empregadores também chama a atenção. Entre julho e setembro de 2015, os brasileiros nessa posição tinham, em média, ganhos de R$ 5 mil por mês. A quantia é bastante superior aos recebimentos dos setores público (R$ 2.860) e privado (R$ 1.644).
Beringuy afirma que o rendimento dos empregadores "sempre foi elevado" e ressalta que o valor "não está abaixando, mesmo com a entrada de novas pessoas no grupo". No terceiro trimestre do ano passado, a média dos ganhos estava em R$ 5.078, já descontada a inflação do período.
Desemprego
A PNAD também mostrou o aumento do desemprego, que chegou a 8,9% no terceiro trimestre deste ano, alta de 0,6 ponto percentual em relação aos três meses anteriores.

Fonte: DCI