Brasil

Consumidores priorizam dívidas essenciais

19/11/2015

De acordo com especialista ouvido pelo DCI, as contas de água, luz e telefone são as primeiras a serem pagas pelos consumidores; falta de pagamento de outras dívidas são reflexo da crise

O consumidor brasileiro "prioriza a sobrevivência", optando por quitar contas essenciais, como água, luz e telefone ante dívidas feitas por cartão de crédito e cheque especial, de acordo com especialistas.
Um levantamento feito pelo Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (Geoc) aponta que 80,2% dos entrevistados optam por jamais deixar de pagar essas contas essenciais.
Em seguida, para 42,9% dos casos, quitação de aluguel e casa própria vêm em primeiro lugar.
Para Miguel de Oliveira, diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), apesar dos bancos estarem mais "flexíveis" para negociação diante dos impactos da crise, os consumidores estão com um endividamento maior.
"Ele está em um momento de queda de renda, e é claro que vai deixar de pagar dívidas de cartão de credito e cheque especial mesmo, porque a prioridade é a sobrevivência", afirma o especialista.
Com isso, a decisão por retirar o nome da lista de inadimplentes só acaba surgindo quando, por causa da restrição, dificuldades para quitar essas dívidas acabam aparecendo para o consumidor.
Ainda segundo a pesquisa, cerca de 30% da população com dívidas não conseguirá quitar seus débitos até 2017.
Além disso, 46,7% dos devedores não sabem o valor de suas dívidas, valor 17,7 pontos percentuais maior do que o observado em 2014 (29%).
"Essa crise é muito mais fortes do que as anteriores, estamos em uma situação em que o consumidor perde renda, perde emprego e não consegue nem renegociar suas dívidas", avalia o diretor da Anefac.
Desemprego
Os reflexos do atual momento econômico brasileiro estão afetando as taxas de desemprego. De acordo com a pesquisa do Geoc, em cinco anos, o percentual de desemprego subiu quase 10 pontos percentuais, indo de 32% em 2010 para 41,8% neste ano.
Segundo Oliveira, o perfil do endividamento brasileiro está diretamente ligado à situação do aumento de desemprego.
"De um lado nós vemos a renda afetada pelos juros altos, contas altas e o aumento de impostos. De outro lado, as pessoas começaram a perder e o emprego e, com isso, elas acabam encontrando um endividamento maior", analisa.
Dados do levantamento ainda apontam que 42,7% optariam pela renegociação para quitar as dívidas que tem, enquanto 16,2% pretendem reduzir os gastos e 11,9% pensam em complementar renda.
Para Oliveira, no entanto, não há sinais de melhora desse cenário em curto prazo.
"O problema é que chegamos ao final do poço e o ano de 2016 vai ser a mesma coisa. Vamos continuar vendo retração e desemprego e vai ser bem difícil para o consumidor sair dessa situação", conclui.

Fonte: DCI