Brasil

Programa de apoio à exportação perde R$ 18,5 milhões até setembro

03/11/2015

O Proex recebeu R$ 369,5 milhões do Tesouro nos nove meses deste ano. O valor é quase 5% inferior ao investido no mesmo período de 2014. E especialistas alertam para prejuízos futuros


O Proex, Programa de Financiamento às Exportações, recebeu R$ 369,5 milhões do Tesouro Nacional até o final de setembro em 2015. O valor é 4,8% inferior ao investido em igual período no ano passado, quando o montante chegou a R$ 388,1 milhões.
A queda dos incentivos para negociações internacionais acontece em fase de retração do valor obtido pelas exportações brasileiras. Até a quarta semana de outubro, R$ 156,9 milhões foram recebidos em vendas para o exterior, baixa de 16% em comparação com igual período do ano passado, quando os produtos nacionais renderam R$ 188 milhões.
"O Proex é importantíssimo para dar competitividade para as exportações brasileiras e melhorar o saldo da balança comercial", afirmou Lucia Helena Monteiro Souza, sócia da consultoria Barral M Jorge. "Tendo em vista a situação de ajuste fiscal, seria importante que o apoio às exportações não fosse prejudicado. Em vários países, o comércio exterior é fortalecido em época de crise. Se o mercado interno está fraco, é necessário buscar demanda lá fora", concluiu.
A especialista destacou a relevância do programa para a indústria: "a área de equalização do Proex incentiva, principalmente, a venda de manufaturados, que é o que faz volume na balança comercial, amenizando o custo de financiamento das exportações da indústria brasileira e melhorando sua competitividade".
Entre janeiro e setembro deste ano, a venda de manufaturados trouxe US$ 53,7 bilhões para o País, 37% do total da pauta de exportação nacional. O valor é 11% inferior ao registrado nos nove meses no ano passado. A exportação de produtos básicos, as chamadas commodities, gerou bem mais para o País em 2015: US$ 67,5 bilhões, ou 47% do total.
Lucia Helena lembrou também que o Proex "tem grande importância para as empresas brasileiras de menor porte". A área de financiamento do programa apoia exportações de companhias com faturamento bruto anual de até R$ 600 milhões. "Esse tipo de investimento estimula a produção nacional e, consequentemente, gera empregos", completou a especialista.
Para Tharcisio Santos, professor de economia da FAAP, "é uma judiação a queda de recursos do Proex". Ele disse também que "em período de ajuste fiscal, alguns cortes são necessários e completamente aceitáveis, mas esse não é o caso de programas de auxílio para exportadores".
Saldo comercial
Até a quarta semana de outubro, a balança comercial brasileira (exportações menos importações) registrou superávit de US$ 11,1 bilhões. Lucia Helena ressaltou que o resultado "não vem de um crescimento nas exportações" e afirmou que "o saldo só não é pior porque as importações estão caindo mais aceleradamente". Ainda no período citado acima, US$ 145,8 bilhões foram gastos em compras no exterior, US$ 45 bilhões a menos do que o acumulado até a quarta semana de outubro no ano passado.
Sobre o futuro das exportações brasileiras, Santos estimou que "haverá aumento das vendas graças ao overshooting cambial [alta do dólar], mas, ainda assim, o produto brasileiro não melhorou, não inovou, sendo apenas ajudado pelo momento atual do câmbio". O professor também alertou que a queda nas importações, acentuada pela desvalorização do real, "pode prejudicar a economia e o desenvolvimento da indústria no País".

Fonte: DCI