Brasil

Mesmo com crise, pessoas mantêm dinheiro nos títulos de capitalização

29/10/2015

Faturamento do setor com vendas de título, no entanto, registra queda de 0,9% de janeiro a agosto influenciado pela inflação; diferentemente da poupança, saldo líquido da capitalização é positivo

Mesmo com a crise econômica pressionando o orçamento familiar, consumidores que possuem um título de capitalização mantêm o dinheiro aplicado até o vencimento, aponta a FenaCap, federação das empresas do setor.
Os resgates antecipados, segundo José Ismar Torres, diretor-executivo da entidade estão dentro dos mesmos patamares dos anos anteriores. "Claro que se a pessoa estiver com dívida no cheque especial ou no cartão de crédito, pode compensar resgatar, mesmo se ela tiver que arcar com a penalidade", disse.
Normalmente, os contratos desse produto prevêem um desconto no valor poupado para saques antecipados, que variam de acordo com o tempo de permanência no título - quanto mais cedo o saque, maior a penalidade.
Dados da FencaCap mostram que os resgates - antecipados e no vencimento - dos títulos cresceram 13,5% de janeiro a agosto deste ano, comparado com a mesma etapa de 2014, evolução que segue a média de anos anteriores.
O volume de vendas de novos títulos, porém, está sentindo os efeitos da recessão. De acordo com a entidade, o faturamento das empresas do setor caiu 0,9% no período, puxado pela inflação.
"É fato que a inflação é inimiga da capitalização. A inflação estando baixa, eu abro mão dos juros e vale a pena concorrer a sorteio. Com a inflação alta é mais complicado", avaliou Torres.
Já as provisões técnicas, constituídas com as receitas das vendas de títulos excluídos os gastos com resgates, sorteios e os custos operacionais, seguem avançando (alta 7,3%), o que mostra que o saldo do setor ainda está positivo.
A situação do produto, portanto, é diferente da poupança, que vêm apresentando saldos negativos desde janeiro, com os consumidores realizando saques para pagar dívidas ou buscando aplicações mais rentáveis para fazer frente à inflação, que acumula 9,49% em 12 meses até setembro.
Os dados da FenaCap apontam ainda que as despesas com os sorteios caíram 17,4%, no período. Considerando resgates e sorteios, as despesas das sociedades de capitalização cresceram 11,1% para R$ 11,8 bilhões.
Motivos
De acordo com Newton Conde, professor de Economia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), por possuir um tíquete médio pequeno, que costuma oscilar entre R$ 40 e R$ 100 por mês, muitas pessoas acabam deixando o dinheiro no produto para concorrer aos sorteios.
"O título de capitalização costuma ser comprado por pessoas que gostam de jogo. Investidor, que tem conhecimento de estatísticas e sabe a probabilidade de ser sorteado, não entra", observou.
O professor apontou ainda que, muitas vezes, o título de capitalização é vendido atrelado a outro produto, ou usado como moeda de troca com o gerente de um banco, já que esse produto é interessante para os grupos financeiros - a Brasilcap, do Banco do Brasil, por exemplo, apresentou um resultado de R$ 97 milhões no segundo trimestre deste ano.
A expectativa da FenaCap é que o setor ganhe um fôlego no segundo semestre, principalmente com o pagamento do 13º salário, e chegue a um crescimento no faturamento na casa dos 4% neste ano, encostando no avanço de 2104, que foi de 4,3%.

Fonte: DCI