Brasil

Inflação é mais forte no sul do País e desemprego afeta mais o Nordeste

27/10/2015

Indicadores que medem a alta dos preços mostram resultados elevados em Curitiba e Porto Alegre, enquanto que os brasileiros de Salvador e Recife sofrem mais para encontrar trabalho

A alta dos preços em Curitiba chegou a 11,12% e a taxa de desocupação em Salvador subiu a 13%. Em um ano, os estados têm os piores resultados para os indicadores no País.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial da inflação no Brasil, alcançou alta de 9,49% durante os 12 meses terminados em setembro. O acumulado supera o dobro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), de 4,5%. Mas seis regiões metropolitanas tiveram resultado ainda mais elevado no mesmo período: Fortaleza (9,64%), São Paulo (9,82%), Rio de Janeiro (9,84%), Porto Alegre (10,51%), Goiânia (10,74%) e Curitiba (11,12%).
"Tivemos fortes mudanças climáticas na região sul neste ano que afetaram, especialmente, os preços de alimentos e energia", justificou Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da PUC-SP.
A principal alta na região de Curitiba foi registrada no item habitação, com aumento de 23,26% nos preços em um ano. A variação foi impulsionada pelo encarecimento da energia elétrica residencial (70,26%) e de combustíveis domésticos (24,90%).
A capital do Paraná e Porto Alegre ficaram à frente das outras áreas estudadas em vários itens. Curitiba teve a maior inflação para saúde e cuidados pessoais (9,35%) e habitação, enquanto que no Rio Grande do Sul foram vistos números superiores em artigos de residência (7,47%) e transportes (10,39%).
O item de alimentação e bebidas teve maior alta em Goiânia (12,76%) nos 12 meses encerrados em setembro. Produtos de vestuário encareceram mais no Distrito Federal (7,02%), despesas pessoais tiveram inflação superior em Fortaleza (13,36%) e educação ficou mais cara em São Paulo (9,79%). Comunicação, segmento que registrou menor aumento de preços, teve subida de preços maior em Recife (1,78%) em um ano.
O IPCA, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), mostrou inflação menos intensa nas regiões de Belém (8,01%), Vitória (8,01%), Salvador (8,20%) e Recife (8,71%).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também do IBGE, estuda os preços de produtos consumidos por famílias mais pobres. O indicador também subiu mais na região Sul. E, mais uma vez, Curitiba aparece na liderança do índice, com inflação em 12,25% em um ano.
Goiânia (11,62%), Rio de Janeiro (10,89%), Porto Alegre (10,88%) e São Paulo (10,78%) também tiveram considerável escalada dos preços para famílias brasileiras que recebem até cinco salários mínimos.
A inflação medida pelo INPC foi mais leve, novamente, em Belém (8,01%) e Vitória (8,01%). Os estados do Nordeste também foram menos afetados pela alta dos preços: Salvador (8,20%), Recife (8,71%) e Fortaleza (9,26%).
Desemprego
Se a alta dos preços tem impacto menor no Nordeste, a falta de trabalho preocupa mais os brasileiros que moram nesta região. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também realizada pelo IBGE, Salvador (13%) e Recife (10,4%) tiveram as piores taxas do País em setembro, acima da média nacional de 7,6%. São Paulo (7,3%), Porto Alegre (6,3%), Rio de Janeiro (6,3%) e Belo Horizonte (5,9%) registraram números melhores.
Para Victor Gomes, professor de economia da UNB, "a crise pode afetar de maneiras diferentes as regiões do País". Sobre o desemprego, o economista explicou que "o Sul tem uma população mais velha, de mais idade, e menos gente procurando trabalho. No Nordeste, acontece o contrário, existe maior quantidade de gente buscando emprego".
O professor afirmou também que as regiões Norte e Nordeste, "historicamente mais pobres que o resto do País", devem sofrer mais com a crise. Gomes ressaltou a importância "de indústria e comércio mais desenvolvidos no sul e no sudeste", o que ameniza o impacto do desemprego.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), outro levantamento relacionado ao emprego realizado pelo IBGE, também mostra resultados piores em estados nordestinos. Bahia (12,7%), Alagoas (11,7%) e Rio Grande do Norte (11,6%) tiveram as maiores taxas até o final do segundo trimestre de 2015. Sergipe (9,1%), Pernambuco (9,1%), Paraíba (9,1%), Maranhão (8,8%), Ceará (8,8%) e Piauí (7,7%) registraram taxas elevadas.
Alguns dos melhores resultados da PNAD foram vistos nos estados do sul, Santa Catarina (3,95), Rio Grande do Sul (5,9%) e Paraná (6,2%). Também apresentaram taxas de desemprego menores Rondônia (4,9%), Mato Grosso (6,2%) e Mato Grosso do Sul (6,2%)
Entre as regiões, o nordeste (10,3%) registra número superior às demais do País: norte (8,5%), sudeste (8,3%), centro-oeste (7,4%) e sul (5,5%).
Alves dos Santos ressalta que "a fragilidade econômica do governo federal e a consequente diminuição dos investimentos públicos afetam mais o Nordeste, que é mais dependente da União".
O professor lembrou que "a Petrobras e empresas ligadas a ela, como as construtoras, que investiram muito no nordeste durante os últimos anos, sofrem também o impacto da operação Lava Jato, e passam a investir menos".
Sudeste
O Rio de Janeiro sofre maior impacto da inflação, tanto pelo IPCA (9,84%) quanto pelo INPC (10,89%). O estado de São Paulo aparece em seguida, com resultados em 9,82% e 10,78% respectivamente.
Os paulistas, entretanto, sofrem mais com o desemprego. A PME coloca a taxa de São Paulo em 7,3%, acima da registrada no Rio de Janeiro (6,3%).
Os resultados de inflação e trabalho de Belo Horizonte aparecem entre os melhores do País. Com IPCA a 8,34% e taxa de desemprego, medida pela PME, em 5,9%.

Fonte: DCI