Brasil

Multinacional no Brasil tem de moldar apólice para atender exigências locais

27/10/2015

A figura do corretor de seguros, característica própria do País, a carga tributária, riscos específicos locais, como queimadas em zonas rurais, são alguns dos principais pontos observados pela firma

A figura do corretor, a carga tributária e riscos específicos do Brasil, como queimadas em zonas rurais, são alguns dos principais pontos que empresas multinacionais com atuação no País precisam ficar atentas para moldar apólices adequadas à operação local.
Normalmente, uma firma que opera em mais de um país costuma contratar um seguro global, chamada de apólice mãe, que cobre riscos em comum em todos as unidades do grupo, porém, como cada região possui características específicas, muitas vezes a multinacional precisa de uma segunda apólice para atender as demandas locais.
Segundo Garrett Olson, head de Programas Mundiais da Zurich no Brasil, os seguros de garantias, frota e transporte são as principais coberturas procuradas, na seguradora, por firmas internacionais que possuem filiais ou querem começar a operação no Brasil.
"Os programas mundiais costumam cobrir patrimônio, liability [responsabilidade civil] e vida. Quando essa apólice é emitida, eu tenho responsabilidade de contatar o cliente aqui e entender os produtos locais e os riscos específicos do Brasil", disse.
André Luis Cabral, sócio-diretor da Vis Corretora, disse que determinados riscos dentro do seguro patrimonial, como incêndios causados por queimadas em zona rural e vendavais, que algumas vezes não estão contemplados no plano global, mas são recorrentes em alguns setores e regiões do País, também costumam demandar contratação local.
Outro ponto levantado pelos especialistas ouvidos pelo DCI foram as exigências e classificações do regulador local - Superintendência de Seguros Privados (Susep) -, que também fazem com que a empresa tenha que adaptar a apólice global ao formato do País.
"Muitos produtos precisam ser estruturados de forma diferente no Brasil. Um seguro de property contratado lá fora pode ser classificado como patrimonial e responsabilidade aqui no País", apontou Thisiani Matsumura Martins, diretora técnica da XL Catlin.
Segundo Martins, algumas apólices globais podem contemplar a legislação de certos países, mas precisam ser adequados às leis locais, inclusive, para evitar que as indenizações deixem de ser pagas.
A figura do corretor que, no Brasil, por lei, precisa estar presente na contratação de uma apólice é outra característica específica do País. "Em outros países, a proteção pode ser contratado diretamente com a seguradora", apontou Cabral, da Vis.
Importância segurada
Além das diferenças estruturais, a importância segurada da apólice global - ou seja, o limite da indenização que a seguradora é obrigada a pagar à empresa - também pode não ser suficiente para cobrir todo o risco de determinados países, o que pode levar a companhia a contratar um limite adicional em suas subsidiárias.
"Às vezes a empresa a empresa tem muitos empregados e precisa aumentar a cobertura do seguro de vida", exemplificou Olson.
Cabral disse que a carga tributária é outro ponto que deve ser observado na contratação do seguro. De acordo com ele, uma indenização de uma apólice global contratada fora do Brasil será paga pelo país de origem e, ao chegar aqui, terá todos os impostos que dizem respeito à transação descontados do valor do sinistro.
Por outro lado, continua ele, as apólices mundiais costumam ter um limite de cobertura maior. "A empresa tem que colocar na balança e ver o que é mais vantajoso", avaliou.
Do Brasil para fora
A companhia que segue no sentido inverso, ou seja, que possui a sede no Brasil e precisa contratar apólices para as subsidiárias no exterior também enfrentam desafios, apontam os especialistas ouvidos pelo DCI.
De acordo com Cabral, uma das principais variáveis a ser analisada é o câmbio. Ele explicou que as apólices globais contratadas no Brasil são precificadas em dólar e as indenizações também são pagas em moeda norte-americana.

Fonte: DCI