Brasil

Pequenas demandam apólices mais personalizadas para adequar gastos

27/10/2015

Coberturas assistenciais normalmente são as principais proteções que podem ser moldadas de acordo com a necessidade da companhia; com crise, empresários estão mais atentos ao assunto

Em meio à crise, as micro, pequenas e médias empresas, que vinham expandindo seus negócios nos últimos anos, buscam seguros cada vez mais personalizados, procurando adequar as coberturas aos riscos e gastos desejados.
Se no passado a maior parte dos produtos era vendida pré-formatada, muitas vezes contendo coberturas desnecessárias ou custosas para a companhia, atualmente, as seguradoras precisam moldar as apólices o mais próximo possível do formato da empresa segurada.
Enfrentando um momento econômico delicado, os empresários avaliam suas despesas de forma cada vez mais minuciosa e, no que diz respeito aos seguros, contratam apenas coberturas que se encaixam às necessidades do negócio, diz Carlos Ronaldo Paes Ferreira, diretor da Rodobens Corretora de Seguros.
"Existe mais interesse do cliente em buscar informações e entender as características da empresa", afirma.
Uma parte das coberturas que podem ser formatadas de acordo com a necessidade do segurado são as chamadas coberturas assistenciais, compostas por serviços adicionais às coberturas principais.
"O que mais impacta um pequeno empresário, muitas vezes não é o roubo de sua loja, mas a interrupção do negócio", aponta Walter Pereira, diretor comercial de Seguros Gerais da Zurich. "Se o empresário fica sem operar por um período, isso prejudica e pode até fazê-lo fechar a porta do negócio".
Uma das coberturas assistenciais que a seguradora oferece para a situação, segundo Pereira, é a disponibilização de um vigia para proteger o estabelecimento até o conserto.
Rodobens Corretora aponta uma redução de custos operacionais de 25% a 35% para as empresas que contrataram um seguro para caminhões, desenvolvido em parceira com SulAmérica e a empresa de rastreamento Sascar, que calcula o prêmio com base na quilometragem rodada mensalmente, em vez de um pacote fechado.
Em março deste ano, a empresa ampliou o escopo de cobertura do produto, para atender caminhões médios e leves, além dos pesados, e a idade do veículo, que agora pode ter até 10 anos e receber a cobertura - antes o limite era 6 anos.
"O produto foi criado quando percebemos que muitas empresas reclamavam que tinham pouco risco, porque usavam pouco o caminhão, e precisavam pagar muito pela proteção", diz Ferreira.
Para Pereira, da Zurich, enquanto as grandes empresas possuem um departamento para cuidar da parte de informática, e têm poucos danos com problemas técnicos nessa área, uma pequena complicação em um computador de um pequeno empresário pode trazer um prejuízo enorme para o negócio. "A cobertura help desk pode ser essencial para um cliente que use muito computador, por exemplo", observa o executivo da Zurich.
Na mesma linha, Ferreira, da Rodobens, aponta que o seguro por quilometragem é mais voltado para as pequenas e médias empresas, que prestam serviços para as grandes corporações - especialmente, nos setores de mineração, de construção e agroindustrial.
"Esses empresas rodam quilometragens diferentes por mês, dependendo da demanda de serviços. Para elas, é mais vantajoso contratar esse seguro", avalia o diretor.
Corretores
Outra variável que influencia o aumento das contratações de seguros pelas MPME é a mudança de postura dos corretores. Segundo Ferreira, esses profissionais estão se qualificando e passando a atuar mais como consultores.
Ele aponta que esses profissionais buscam entender as necessidades do cliente e oferecer somente produtos adequados. "Tem aquele grupo de empresários que já entendem a necessidade do seguro, tem outro que já ouviu falar e quer se informar e tem o terceiro que precisam ser informados. Esse terceiro grupo, principalmente, é contemplado via corretor de seguros", diz.
A porta de entrada dos pequenos empresários e dos microempreendedores individuais ao mercado de seguros corporativos, de acordo com Pereira, normalmente, é a renovação do seguro de automóvel pessoa ou da companhia.
"Quando o empresário vai renovar a apólice, o corretor pode apresentar o produto".
Ferreira diz que é importante o empresário saber de suas necessidades, pois muitas vezes a cobertura básica pode ser suficiente para o negócio.

Fonte: DCI