Brasil

Parceria entre setor público e privado ajuda a resolver problemas sociais

13/10/2015

Índice global criado para medir progresso social de países pode ser usado para planejamento de ações conjuntas tanto no âmbito nacional, quanto regional, sugere economista Michael Green

As empresas, juntamente com o poder público, podem resolver muitos problemas sociais no Brasil. É o que defende o economista Michael Green, diretor executivo do Imperativo de Progresso Social, movimento global nascido no Fórum Econômico Mundial.
O especialista, que esteve no Brasil recentemente para participar da Conferência Ethos 360º, cita como exemplo de ação social conjunta entre empresas e setor público uma iniciativa da Natura e da Coca-Cola em uma região na Amazônia.
A ação foi planejada a partir dos problemas apontados pelo mapeamento da área para o Índice de Progresso Social (IPS). Desenvolvido inicialmente para medir a capacidade de um país em satisfazer as necessidades sociais e ambientais de seus cidadãos, o IPS também pode ser aplicado a regiões, estados e municípios.
Segundo Green, o mapeamento regional do IPS é importante para destacar as diferenças existentes dentro de um mesmo país e trabalhar nesses aspectos. No ano passado, por exemplo, a Amazônia tinha um índice de 57,31 pontos, abaixo da média nacional de 69,97. No Brasil, a região é a única a contar com um mapeamento próprio, que no ano passado mediu o IPS de 772 municípios em nove estados na Amazônia e em seu entorno.
Diante dos problemas encontrados, a Coca-Cola e a Natura juntaram esforços para realizar ações direcionadas para o Médio Juruá, região que envolve 50 comunidades ribeirinhas do Rio Juruá, no município de Carauari (AM).
A iniciativa visa a ampliar o desenvolvimento socioeconômico do local.
Para Green, o estado tem um papel fundamental no desenvolvimento social, mas, sozinho, não consegue encontrar todas as soluções para os problemas de um país. Por isso é importante a iniciativa privada atuar em conjunto com o setor público, defende. "Queremos justamente isso: que os setores em conjunto, por meio de nosso índice, detectem as prioridades para o desenvolvimento regional e até nacional", afirmou em entrevista ao DCI.
Dinheiro não é tudo
No âmbito global, Green explica que é possível um país ter um bom índice social, apesar de não ser rico economicamente. Ele cita como exemplo a Costa Rica, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) de apenas U$$ 49,6 bilhões e se encontra na 28ª colocação no IPS deste ano. O Brasil tem um PIB superior a U$$ 2 trilhões e está na 42ª posição. Por isso ele acredita que é importante mais empresas e governos utilizarem a ferramenta.
"Depende do interesse local, mas eu gostaria de ver mais estudos regionais, como o realizado na Amazônia, pelo Brasil", disse.
Para ele, a participação das empresas também é muito importante, até para tornar suas iniciativas mais conhecidas nos lugares em que atuam.
O Paraguai, no âmbito federal, e o estado de Michigan, nos Estados Unidos, utilizam o IPS atualmente. Green ressalta que a organização não determina nenhuma ação junto aos governos, apenas fornece os dados. "As autoridades têm o papel de estabelecer as prioridades e o que é mais fácil de ser feito", diz.
O país campeão no IPS deste ano foi a Noruega, com 88,36 pontos. O mapeamento completo foi realizado em 133 países. Outros 28, como Burundi e Comores, tiveram apenas algumas características avaliadas. O índice leva em conta três principais esferas: necessidades humanas básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades. Cada uma dessas categorias é dividida em outros quatro itens.
O IPS se difere do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), utilizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), porque não considera fatores relacionados à renda ou à economia local, como o PIB, em sua avaliação.
Crescimento brasileiro
Green sugere ainda mais mapeamentos menores pelo País, como o realizado na Amazônia. Para ele, isso facilitaria a solução de problemas pontuais. Além disso, ele considera fundamental a presença de mais empresas para desenvolver esse processo.

Fonte: DCI