Brasil

Aportes privados e públicos no País podem diminuir até 15% neste ano

09/10/2015

Principal fator de baixa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, os investimentos devem continuar recuando em 2016, atrasando desenvolvimento econômico, segundo especialistas

Principal fator de baixa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, os investimentos devem ter queda de 13% a 15% neste ano, preveem economistas ouvidos pelo DCI.
Além disso, a expectativa é que os aportes dos setores público e privado continuem recuando em 2016, podendo atrasar o processo de desenvolvimento produtivo do País nos próximos anos.
A reversão desse cenário depende da confiança dos empresários que segue registrando números negativos nos indicadores setoriais, tendo em vista o quadro de incerteza política e econômica dos últimos meses.
Após ter registrado quedas de 0,2% e de 1,9% no primeiro e no segundo trimestre, respectivamente, a projeção é que o PIB tenha recuado cerca de 3% entre os meses de julho e setembro deste ano, informa a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.
Pela lado da oferta, a indústria contribuiu com queda de 7,5%, e os serviços com retração de 1,9%. O único segmento com expansão (4,6%) foi a agropecuária.
A economista da Tendências ressalta que os investimentos têm sido o "grande vilão do PIB" e que, somente no terceiro trimestre, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) chegou a cair 20%.
Nos primeiros dois trimestres, a queda do indicador foi de 8% e 12%, respectivamente. Nesse ritmo, diz ela, a tendência é que os investimentos terminem o ano de 2015 com queda de 15%.
Já a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) prevê queda de 13,4% nos investimentos, contra previsão anterior de 7,7%. Essas informações foram divulgadas ontem pela confederação.
O que puxou essa queda foi a retração da indústria de transformação, importante consumidora de máquinas e equipamentos, bem como à contração da indústria da construção, responsável por mais da metade da composição da FBCF no Brasil. Com isso, a taxa de investimento na proporção do PIB deve cair de 19,7, em 2014 para 17,6%, no fechamento deste ano.
As sucessivas quedas dos investimentos e da atividade dos setores econômicos, vão levar o PIB a -3% em 2015, estima aSulAmérica Investimentos e a Mongeral Aegon. A Tendências também trabalha com um número semelhante e prevê queda de 2,8% neste ano.
O horizonte de retomada dos investimentos ainda não está definido, avalia Newton Rosa, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, considerando o grau elevado de desconfiança dos empresários brasileiros.
Para a Tendências, inclusive, a FBCF deve fechar no negativo também em 2016 (-7%). "Muitos fatores colaboram para esse cenário: os desdobramentos da Operação Lava-Jato, os atrasos nas aprovações de medidas do ajuste fiscal e incerteza política. Fora isso, a ociosidade do uso da capacidade instalada da indústria é muito grande, então não porque investir", diz Alessandra.
Atraso
Adriano Gomes, da Méthode Consultoria, acrescenta que a trajetória de queda dos investimentos tende a prejudicar o processo de desenvolvimento econômico do Brasil nos próximos anos. Além disso, ele ressalta que a aprovação dos ajustes são necessários para evitar perda de grau de investimento pelas outras de agências de classificação de risco (Fitch Ratings e Moody‘s). Porém, ele espera uma lenta retomada da economia a partir de 2017. "Minha expectativa é de expansão tímida entre 0,1% e 0,3% em 2017%, diz ele. Para 2016, Adriano Gomes prevê queda entre 1,5% e 1,7%.
"Acho que uma definição de cenário econômico poderia estimular os empresários a investir. Porém, o que estamos vivenciando é uma crise política muito grande. Exemplo disso foi a derrota do governo federal [na última quarta-feira] no Tribuanal de Contas da União (TCU)", avalia Patrícia Pereira, da Mongeral Aegon.
Já a CNI recomenda uma revisão dos gastos públicos. O gerente executivo da Unidade de Política Econômica da confederação, Flávio Castelo Branco, defendeu ontem mudanças na legislação que, hoje, permite aumento automático de despesas obrigatórias, sem avaliar a eficiência dos gastos o que, na opinião dele, é mais importante nesse momento.

Fonte: DCI