Brasil

Com influência interna e externa, recua o investimento chinês no Brasil

09/10/2015

Os aportes da China destinados ao País caíram de US$ 818 milhões em 2014 até agosto, para US$ 57 milhões em igual período de 2015. Uma causa é a fase econômica menos favorável de ambos

Os aportes chineses destinados ao Brasil despencaram neste ano. Até agosto, foram contabilizados apenas US$ 57 milhões em ingressos, enquanto que o investimento em igual período de 2014 superou os US$ 800 milhões.
A participação dos chineses no capital brasileiro tem um ano ruim. O total de investimento estrangeiro direto (IED) chinês registrado no Brasil representa apenas 0,2% de todo o valor que chegou ao País até agosto de 2015. No mesmo período, os espanhóis, primeiros colocados no indicador, enviaram US$ 5,4 bilhões, aporte quase cem vezes superior.
Após ressaltar que o investimento estrangeiro direto tem "grande importância para fechar a balança de pagamentos brasileira", o professor de economia da FGV André Nassif falou sobre a queda dos aportes chineses: "pode ser causado por dois motivos: o principal é que o investimento externo direto no Brasil tende a cair por causa do desaquecimento econômico enfrentado pelo País. A segunda causa pode ser um replanejamento dos investimentos pelo governo chinês, já que o país está entrando em um período de desaceleração econômica".
Para Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, essa queda acontece por causa de um "momento econômico ruim no Brasil, na China e em grande parte do mundo". Ele destacou a "crise na Petrobras" e uma "desvalorização geral do preço das commodities" para explicar a turbulência encarada pelas economias brasileira e global.
No ranking dos ingressos de IED por participação no capital, a China não figura entre os trinta primeiros colocados de 2015. À frente do gigante asiático, aparecem países de expressão econômica bem menor, como Angola, Peru e Colômbia. Nas primeiras posições, a Espanha é seguida por Países Baixos e Estados Unidos. Os três enviaram mais de US$ 14 bilhões ao Brasil até agosto, 45% do total.
Tang ressaltou que "parte dos investimentos chineses passa por offshores, como em Luxemburgo e na Suíça", sendo registrados fora da China. Até agosto deste ano, os dois países citados foram responsáveis por parcela do IED superior à dos asiáticos.
A queda dos aportes chineses na comparação entre este ano e 2014 também chama a atenção. E além do resultado registrado até agosto, de US$ 57 milhões, não chegar a um décimo do que foi investido em igual período do ano passado, US$ 818 milhões, o total contabilizado em anos anteriores mostra valores maiores: US$ 110 milhões em 2013, US$ 185 milhões em 2012, US$ 179 milhões em 2011 e US$ 395 milhões em 2010.
Para o futuro, Tang tem previsão otimista: "espera-se maior investimento chinês nos próximos anos. Com a visita do primeiro ministro [a autoridade chinesa veio ao Brasil em maio], foram anunciados grande projetos, que devem ter grande participação da China". O diretor da Câmara também afirmou que "há uma crescente parceria entre os dois países, sólida e de longo prazo. Isso é provado pelo investimento chinês na Petrobras, feito mesmo em um momento de crise".
Investimento internacional
Seguem trajetória inversa a chinesa, com ampliação dos investimentos, várias nações europeias. Na comparação entre os oito primeiros meses de 2015 e do ano passado, muitos países do continente aumentaram seus aportes. Dentre estes, alguns aparecem no top 20 do IED: Alemanha, Noruega, Bélgica, Itália e Dinamarca.
Para Nassif, o aumento dos aportes feitos por estes países pode estar acontecendo porque "ainda existe conjuntura de crise na Europa". De acordo com o professor, essa situação favorece "a busca por outras oportunidades de lucro fora do continente".
Os vizinhos brasileiros da América do Sul seguem com investimentos mais tímidos. O Chile, melhor colocado entre os sul-americanos, aparece na décima quarta posição, responsável por apenas 1,5% do IED recebido pelo Brasil até agosto. Uruguai (0,8%), Peru (0,4%) e Colômbia (0,2%) fizeram investimentos menos expressivos no mesmo período. Já a Argentina, tradicional parceira econômica do Brasil, fez apenas US$ 15 milhões dos aportes, 0,1%.
Em posições superiores, aparecem os países americanos do hemisfério norte. Os EUA investiram US$ 4 bilhões (12,8%) no País até agosto. O Canadá (2,6%) também teve participação significativa, enquanto que o México (0,3%) teve menor destaque.
Entre os asiáticos, o Japão aparece muito à frente das demais nações, com investimento de US$ 1,6 milhões até agosto, 5% do total. Hong Kong (0,9%) e Coreia do Sul (0,5%) também aparecem entre os 30 países que mais investiram.

Fonte: DCI