Brasil

Governos lançam programa para ajudar vendas externas de pequenas

07/10/2015

Plano Nacional da Cultura Exportadora, braço do Plano Nacional de Exportação, é lançado em São Paulo. Pernambuco e Bahia devem ser os próximos que divulgarão o acordo com o MDIC

O governo de São Paulo e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lançaram ontem o Plano Nacional da Cultura Exportadora. Outros estados também vão participar do programa, que ajudará as pequenas e médias empresas no comércio exterior.
Com a intensificação da crise no Brasil, as vendas para países com melhor saúde econômica se tornaram uma espécie de ponto de fuga. Empresários de todo o País ampliaram as viagens ao exterior para divulgar seus produtos, agora mais atraentes por causa do câmbio elevado, e o governo incrementou suas ações para promover as exportações e alcançar novos mercados.
No final de junho, o MDIC lançou o Plano Nacional de Exportações (PNE). Agora, o programa começa a ser ampliado com a chegada do Plano Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), apresentado pelo MDIC como um "braço regional" do PNE que irá auxiliar "especialmente as empresas de pequeno e médio porte".
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, além de São Paulo e Minas Gerais, a previsão é de expandir o programa para o Nordeste, inicialmente para Pernambuco e, em seguida, para a Bahia.
Objetivo
"O foco preferencial do programa são as PMEs [pequenas e médias empresas], porque estas precisam de mais informação, de capacitação, de todo esse suporte que o PNCE proporciona", ressaltou Monteiro.
A autoridade do MDIC explicou que o programa envolve "capacitação, oficinas, seminários e consultoria realizada diretamente nas empresas". "A ação começa com edital oferecido às empresas e tem universo alvo de quatro mil empresas em São Paulo", acrescentou.
As companhias paulistas foram responsáveis por 23,3% das exportações brasileiras e por 47,5% das vendas do Sudeste entre janeiro e setembro. No período, mais de 8.465 empresas do estado fizeram negociações com outros países.
O volume de exportações de São Paulo, nesses nove meses de 2015, atingiu 30,7 bilhões de quilos em vendas, contra 29 bilhões de quilos em igual período do ano passado.
Ainda assim, a receita proveniente destas negociações diminuiu, de US$ 38,5 bilhões para US$ 33,7 bilhões. Segundo Monteiro, a diminuição da cotação internacional dos produtos básicos é a principal causa desse descompasso entre volume exportado e receita das vendas.
Acordo Transpacífico
Na oportunidade, o ministro do MDIC também foi questionado sobre o Acordo Transpacífico, assinado na última segunda-feira por Estados Unidos, Japão e outros países que cercam o oceano. Segundo ele, a iniciativa "pode ter impacto, deslocando as exportações brasileiras. Mas também oferece oportunidades: a própria União Europeia tem interesse de responder a esse movimento dos Estados Unidos, o que pode agilizar o processo de negociação do acordo entre os europeus e o Mercosul".
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin - que lançou o PNCE em conjunto com o MDIC -, foi mais pessimista. "O Transpacífico, com participação de grandes economias do mundo, pode fazer encolher em quase 3% as exportações brasileiras", disse.

Fonte: DCI