Brasil

Cooperativa de crédito pratica menor taxa de juro em empréstimo pessoal

06/10/2015

Instituições associativas cresceram 15,7% no segundo trimestre de 2015 frente a igual período do ano passado e superaram a performance obtida por grandes bancos de varejo públicos e privados

O sistema de cooperativas de crédito seguirá crescendo a um ritmo maior que o alcançado pelos grandes bancos de varejo públicos e privados. O motivo são as menores taxas de juros nos empréstimos que atraem novos associados.
Com cerca de 5,7 milhões de cooperados, as instituições financeiras associativas (cooperativas de crédito) avançaram cerca de 15,7% nos saldos nos últimos 12 meses até agosto de 2015, enquanto os bancos públicos (Caixa, Banco do Brasil, BNDES e estaduais) evoluíram 14,3% e as instituições privadas nacionais e estrangeiras cresciam até 7,4%, conforme dados do Banco Central (BC).
Mas mesmo com esse crescimento, a participação das cooperativas no sistema financeiro brasileiro ainda é considerada pequena, aproximadamente 3% do total de financiamentos concedidos.
"O sistema tem dobrado de tamanho a cada três anos. Mas o principal desafio do cooperativismo de crédito é uma questão de conhecimento e de cultura. O cooperativismo ainda não é bem conhecido", diz o presidente da rede de cooperativas Unicred, Leo Trombka.
Na comparação entre taxas de juros cobradas por cooperativas de crédito e os bancos comerciais, as instituições associativas são consideradas como uma alternativa acessível aos tomadores de linhas.
Dados fornecidos pelo Trombka e confirmados no Banco Central evidenciam que as taxas médias são as menores no crédito pessoal (1,84% ao mês); no empréstimo consignado com desconto em folha (1,72% ao mês); no cartão de crédito (6,49% ao mês) e no capital de giro para pessoas jurídicas até 365 dias de prazo (1,71% ao ano), na comparação com os principais bancos de varejo - Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander Brasil.
Em outros números do setor, o executivo apontou que as cooperativas cresceram 18,6% no total de depósitos no segundo trimestre de 2015 na comparação o mesmo trimestre de 2014, enquanto os bancos públicos tiveram um acréscimo de 0,5% e os privados, uma redução de 0,8%.
Nos depósitos a prazo, a evolução do sistema de cooperativas foi 25,1% em 12 meses, enquanto a própria Unicred avançou 23%, e o sistema financeiro brasileiro cresceu apenas 3% em igual período.
Em termos de patrimônio líquido, as cooperativas de crédito avançaram 19,5% em 12 meses, enquanto os bancos privados cresceram 12,3%, e o sistema financeiro com um todo avançou 7,2% em 1 ano.
Os dados disponíveis do Banco Central revelam, no entanto, que as mais de 1,2 mil cooperativas listadas ainda possuem uma representatividade pequena (0,5%) dentro do volume de quase R$ 2 trilhões em depósitos totais.
Sem um montante expressivo de depósitos no caixa, o sistema é fomentado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ontem, o banco federal aprovou a renovação do Programa de Capitalização de Cooperativas de Crédito (Procapcred), que tem como objetivo promover o fortalecimento da estrutura patrimonial das cooperativas de crédito. O programa foi prorrogado até 31 de dezembro de 2017, com mais R$ 500 milhões de dotação orçamentária.
Segundo o comunicado do BNDES, a taxa de juros do programa passa a ser composta pela TJLP (hoje em 7% ao ano), mais remuneração de 1,5% ao ano para o BNDES, taxa de intermediação financeira de 0,1% ao ano e remuneração de até 3% para a instituição financeira credenciada. "O prazo é de até seis anos, incluído até um de carência. O limite de crédito é de até R$ 30 mil por beneficiária, a cada período de 24 meses, contados a partir da data de contratação de cada operação", disse o BNDES.
Médicos e arquitetos
Trombka contou que a Unicred nasceu há 25 anos como uma cooperativa de crédito associativa voltada para profissionais da medicina (médicos) e que depois agregou outros profissionais da área de saúde.
"Agora estamos crescendo por meio de um convênio com a associação de arquitetos que possui mais de 110 mil profissionais, mas também temos adesões de contabilistas, engenheiros e familiares dos cooperados que possuem outras profissionais. A cooperativa não visa o lucro, todos são donos e clientes ao mesmo tempo", explicou o presidente. A Unicred reúne 210 mil cooperados e 47 cooperativas em 280 unidades de negócios.

Fonte: DCI