Brasil

Com confiança em baixa, pequenas se preparam para atravessar crise atual

02/10/2015

Alguns empresários estão aproveitando o momento para se aperfeiçoar profissionalmente e eliminar gargalos das empresas; outros apostam na criatividade para fidelizar clientes em 2016

Apesar da queda de confiança na economia, pequenos empresários estão buscando alternativas para atravessar a crise. Criatividade, aperfeiçoamento profissional e fidelização de clientes são alguns dos caminhos que estão trilhados nesse momento.
Dados elaborados pelo Insper e Santander, por exemplo, mostram que o Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil (IC-PMN) teve queda de 3,9% no quarto trimestre deste ano, ante o período anterior.
Apesar do cenário ruim, Marcelo Dória, sócio proprietário da rede de lojas Depósito de Lingerie, coleciona projetos e, atualmente, está aprimorando ações que já fazem parte da rotina da empresa e que costumam associar o comércio a iniciativas sociais. "Estou preparando para os próximos meses a implementação de um fashiontruck [loja itinerante de roupa]. Foi uma forma que encontrei de dar utilização a um caminhão que estava parado no estacionamento por conta da crise", diz ele.
"É um projeto que está no forno, ainda estou estruturando a equipe. Mas a proposta é estacionar o fashiontruck em pontos estratégicos, oferecendo também um serviço de medição de pressão. Por isso estou em contato com uma profissional da área de enfermagem", acrescenta.
O empresário já presta outros serviços do gênero. Em suas lojas, são realizadas campanhas de prevenção ao câncer de mama, com profissionais aptas a dar orientações e encaminhamentos. "É necessário humanizar a relação com o cliente e conquistá-lo também como pessoa. A fidelização deles é a chave para ficar menos vulnerável às instabilidades macroeconômicas", aconselha. "Mas, claro, a fidelização só se faz com qualidade e diferencial de serviço".
Dória também se aproximou das comunidades locais. Com base na zona leste, o empresário expandiu seus pontos de venda para regiões como Cidades Tiradentes e Sapopemba. "Na ambientação das lojas, contamos a história do bairro para criar aproximação com a comunidade", conta Dória.
Outra dica que ele dá é apostar no básico. "Estamos investindo nas linhas de roupas íntimas confortáveis. Na crise, as pessoas vão no que é básico e essencial", ressalta.
Arrumando a casa
No ramo da logística há 27 anos, a empresária Tania Maria da Silva, dona da Navigator Cargo, está aproveitando a atual crise para aprimorar os processos internos da empresa com 10 anos de atuação.
"Nos últimos anos, a empresa cresceu muito, acumulando gargalos e retrabalhos que não identificamos em meio à correria do dia a dia. Agora, com o dólar mais alto, nossas operações de importação diminuíram e estamos com tempo de solucionar erros", comenta.
Uma das ações foi colocar a sua equipe em sintonia e criar rotina. "Os funcionários estavam desalinhados, cada um tinha uma rotina diferente. O que fizemos foi criar um processo único de trabalho, orientando cada um deles das etapas dos colegas e como eles podem facilitar o trabalho do próximo", relata.
A empresária também está apostando no seu aperfeiçoamento pessoal. Atualmente, está cursando o Canvas do Sebrae, que ajuda a estruturar modelos de negócios. "No curso, estou aprendendo a apresentar melhor a minha empresa, a como sintetizar, em uma reunião, por exemplo, o que eu faço em meu negócio", diz ela.
"Além disso, estou registrando a minha marca, algo que não fiz há 10 anos por falta de experiência. Ou seja, tudo o que estou fazendo vai no sentido de estruturar melhor o meu negócio para a retomada da economia", finaliza Tania.
O consultor em varejo Fred Rocha diz que, atualmente, o pequeno empreendedor está melhor preparado para as dificuldades do que há 20 anos atrás. "Alguns pequenos já estão se organizando para atravessar 2016 e alguns deles começam a entender que precisam implementar cada mudança de uma vez", diz.

Fonte: DCI