Brasil

Reajuste da gasolina elevará receita do etanol

01/10/2015

Consumo do biocombustível hidratado tem crescido desde a recomposição da Cide, como alternativa de abastecimento; setor avalia que solução para a crise das usinas ainda está distante

Os reajustes de 6% sobre os preços da gasolina e 4% no diesel, anunciados na última terça-feira (29) pela Petrobras e vigentes desde ontem, devem aumentar a receita das usinas em até R$ 6 por tonelada de cana. A medida favorecerá a competitividade do etanol, mas, para o setor, ainda está longe de trazer uma solução efetiva para a crise.
A avaliação é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). "O etanol mais competitivo em relação à gasolina reforça ainda mais a vantagem econômica do uso do combustível derivado da cana nos estados produtores e demais unidades federativas", informa a entidade em nota.
Ao DCI, o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, explica que o aumento na demanda do etanol hidratado, que virá como alternativa de abastecimento, é o primeiro efeito do reajuste. Até o momento, o consumo do biocombustível já vinha de uma crescente, desde a recomposição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, anunciada pelo governo federal em fevereiro.
"Em agosto, o consumo de etanol já atingiu 1,57 bilhão de litros. Agora, essa pressão terá que fazer os preços ao produtor aumentarem para que haja um ajuste entre a oferta e a demanda", afirma o especialista.
Para Nastari, um avanço nos valores recebidos pelas usinas tende a fazer com que essa demanda crescente pelo etanol hidratado desacelere. Porém, a recuperação de preço, em si, manteria um cenário favorável para o setor sucroenergético.
"Prevemos que esse reajuste de 6% sobre a gasolina deve gerar um aumento no preço do etanol hidratado da ordem de 4%", estima.
Apesar do viés positivo, a Unica ressalta que modificação nos valores praticados pela Petrobras atende a uma necessidade pontual do mercado de combustível fóssil e, portanto, "ainda está muito distante de uma solução efetiva para o crescimento do setor sucroenergético do Brasil", informa a nota. Conforme publicado no DCI, para representantes do segmento, a recomposição total da Cide - passando da atual tributação de R$ 0,22 sobre o combustível fóssil para R$ 0,60 - traria competitividade para as usinas e ainda geraria uma arrecadação de R$ 14,9 bilhões para os cofres do governo.
Porém, o presidente da Datagro lembra que a questão Cide está atrelada à aprovação Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Congresso Nacional. "Se não for aprovada, a probabilidade de retorno da Cide aumenta", diz Nastari.
Diesel
Amplamente utilizado em máquinas agrícolas e no transporte de cargas, o reajuste sobre o diesel deve pesar no bolso do produtor rural. O assessor econômico da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Leonardo Zilio, comenta que este foi um dos fatores que levou o Ministério de Minas e Energia (MME) a avançar com negociações, que começaram neste segundo semestre, para que o biodiesel fique disponível para o abastecimento, tal como a relação entre o etanol e a gasolina.
"Existe uma diferença média de R$ 0,20 a R$ 0,30 entre o óleo mineral e o biocombustível e este segundo já se tornou vantajoso em regiões produtivas, como o Centro-Oeste e o Rio Grande do Sul por ser mais barato", avalia o especialista da Abiove.

Fonte: DCI