Brasil

Título de capitalização inova e busca a identificação como solução financeira

01/10/2015

Inflação alta é a pior inimiga do setor de capitalização, pois atinge principalmente o consumidor das classes C e D, público cativo que guarda suas economias enquanto sustenta sonhos e projetos

O segmento de capitalização expande suas atividades para diversos setores da economia e camadas da sociedade brasileira e busca a imagem de identificação como solução financeira aos seus clientes.
"Passamos muito tempo dizendo o que o título de capitalização não era. Ele não pode ser comparado com um investimento tradicional e também não é loteria. Agora podemos dizer que o título de capitalização também é uma solução financeira com o elemento lúdico do sorteio", argumentou o presidente da Federação Nacional de Capitalização (Fenacap), Marco Antônio da Silva Barros, no 4º Workshop realizado ontem, em São Paulo.
O executivo explicou que além das modalidades tradicionais e populares para pessoas físicas, que o segmento expandiu-se via programas de incentivos de empresas e como solução financeira, vide o exemplo de "sucesso" do título de capitalização com garantia do aluguel, que substitui a carta-fiança.
"O ambiente inflacionário não favorece os negócios em capitalização, assim como todo o conjunto da sociedade. A crise de um modo geral afeta essa relação de consumo. Mas mesmo assim, mesmo com o medo do desemprego, nós estamos crescendo vis a vis o ano passado cerca de 2% e acreditamos que vamos cumprir uma meta de crescimento para 2015 em torno de 4% nominais, conforme previsto no início de 2014, quando a gente não imaginava uma crise desse tamanho", considerou Marco Barros.
Em números, o setor de capitalização registrava patrimônio [reserva] superior a R$ 30,6 bilhões no primeiro semestre de 2015. Em 2014 obteve receitas brutas de R$ 21,9 bilhões e realizou R$ 16,3 bilhões em pagamentos via sorteios ou resgates. Em sorteios, o segmento paga uma média de R$ 4,6 milhões por dia útil.
A modalidade tradicional em que o cliente recebe 100% do valor acumulado no final do contrato ainda é a mais comercializada com mais de 80% desse mercado. Mas mesmo esse modelo tradicional inovou ao propor a solução da garantia locatícia, que substitui a carta-fiança ou o fiador no aluguel de imóveis comerciais ou residenciais. "Se o inquilino paga em dia seu aluguel, ao final do contrato, ele recebe de volta todo o valor do título de capitalização", diz o vice-presidente de capitalização da SulAmérica, André Lauzana.
O vice-presidente contou que a SulAmérica foi a pioneira na atividade de capitalização no Brasil (desde 1929), e também foi a primeira a inovar com o produto Garantia de Aluguel. "Temos um market-share [participação de mercado] de 60% nessa modalidade do Garantia de Aluguel. E o potencial é vasto, uma pesquisa do Secovi [Sindicato da Construção Civil] mostrou que apenas 1% dos imóveis alugados utilizam o título de capitalização que dispensa o fiador".
O ticket médio da SulAmérica na modalidade Garantia de Aluguel fica em torno de R$ 10 mil por ano. "Mas esse ticket é bastante flexível, depende da negociação do caução entre o inquilino e o locador, pode variar de acordo com o número de aluguéis como caução, 1, 2, 3 ou mais. Temos tickets no valor de R$ 3 mil por ano", disse.
Na modalidade de títulos de capitalização com incentivos, o foco, segundo ele, é alcançar clientes pessoas jurídicas. "O mercado de sorteios movimenta R$ 9 bilhões no Brasil, e R$ 1 bilhão é por meio de títulos de capitalização. Essas campanhas podem servir para incentivar os consumidores, mas também como programas de incentivos de equipes de vendas e de metas para funcionários", considerou Lauzana.
Segundo a pesquisa qualitativa da Fenacap sobre o comportamento do consumidor de capitalização apresentada ontem, o cliente está satisfeito com o produto. "Eles sabem que o rendimento é pequeno, mas consideram importante a disciplina de poupar. É uma poupança forçada que pode servir depois num momento de imprevisto. Eles sabem que concorrem a sorteios, mas nem sempre acompanham ou conhecem a frequência dos sorteios e os valores dos sorteios", divulgou o sócio diretor da Overview Pesquisa, Luis Eduardo Guedes ao Workshop.
A pesquisa qualitativa foi realizada com 15 grupos de consumidores das classes C e D das principais cidades brasileiras. Na modalidade conhecida como popular que direciona mais recursos para sorteios, e principalmente comercializada por bancos, o tíquete médio oscila entre R$ 40 e R$ 100 por mês. "O título de capitalização não é investimento, não é loteria, mas pode ser a primeira experiência de acumulação", diz a doutora em direito econômico, Angelica Carlini.
Título para estudantes
Entre as novidades para 2016, Lauzana apontou que a SulAmérica desenvolveu um produto que pode melhorar a pontualidade dos pagamentos das mensalidades escolares por estudantes em instituições de ensino privadas. "Todos sabemos que a inadimplência do setor de educação aumentou. Estamos um produto pronto para esse mercado", afirmou.
De fato, com o processo de ajuste fiscal nas contas públicas, o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) tornou-se mais restrito e devido a isso, pais e estudantes passaram a encontrar dificuldades para honrar as mensalidades escolares no prazo devido.
A proposta da SulAmérica é um título de capitalização que incentiva o pagamento da mensalidade em dia, e o estudante ainda poderá concorrer a sorteios, cujo valor do prêmio possa, por exemplo, pagar um intercâmbio no exterior ou uma viagem "dos sonhos".

Fonte: DCI