Brasil

BC registra alta de 26% em operações atípicas

29/09/2015

Conselho de Controle de Atividades Financeiras aperta a fiscalização na compra e venda de bens de luxo e de alto valor e percebe mais movimentações com cartão de crédito, joias e preciosidades

O Banco Central relatou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) um aumento de 26% no número de operações atípicas no Sistema Financeiro Nacional nos oito primeiros meses de 2015, em relação a média de 2014.
De acordo com o último boletim do Coaf, o BC relatou 6,845 mil operações atípicas em agosto de 2015, ante uma média mensal de 4,788 mil operações em 2014, e da média mensal de 6,034 mil operações no acumulado entre janeiro a agosto de 2015.
O diretor de análise e fiscalização do Coaf, Antonio Carlos Ferreira de Souza, explicou ao DCI que as operações atípicas são relatadas a partir da suspeita da disparidade ou incompatibilidade da renda. "O banco precisa conhecer o seu cliente e informar se a operação apresenta alguma disparidade com a renda ou com o patrimônio. Pelo menos 15% das operações atípicas relatadas por bancos geram relatórios", informou.
Souza contou que os relatórios do Coaf são encaminhados para a Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministérios Públicos nos estados. "CPIs [Comissões Parlamentares de Inquérito] e a Receita Federal também solicitam informações ao Coaf", completou.
Segundo a advogada do escritório Straude Advogados, Adriana Laporta, o Coaf tem intensificado a fiscalização em atividades suspeitas de lavagem de dinheiro. "É a situação do Brasil atual, com vários escândalos de corrupção como o da Lava Jato [operação investigada pela Polícia Federal]. E também mais pessoas estão informando ao Coaf de boa-fé para evitar penalidades administrativas ou casos de ilícitos criminais", avaliou Laporta.
Nas operações em espécie com mais de R$ 100 mil informadas automaticamente ao Coaf, o Banco Central relatou 82,124 mil operações em agosto de 2015, ante uma média mensal de 80,588 mil operações relatadas no ano passado.
Segundo o boletim do Coaf, são consideradas operações automáticas as que envolvam depósitos em espécie, saque em espécie, saque em espécie por meio de cartão pré-pago ou pedidos de provisionamento de saques de valor igual ou superior a R$ 100 mil.
O Coaf também acompanha operações atípicas na compra e venda de bens de luxo e de alto valor; cartões de crédito; factoring e recebíveis; joias, pedras e metais preciosos; objetos de arte e antiguidades; remessas alternativas de recursos; serviços de consultoria; loterias e sorteios; compra e venda de imóveis; transporte e guarda de valores; além de operações com previdência, seguros e valores mobiliários (títulos públicos e privados, ações e derivativos). "Em julho tivemos uma notificação maior das transportadoras de valores por causa da interpretação da norma", disse Souza, do Coaf.
Entre os destaques do boletim, o Coaf apurou 3,332 mil operações atípicas com cartão de crédito em agosto de 2015, ante uma média mensal de 2,617 mil registradas em 2014.
Em áreas sensíveis ao acompanhamento da lavagem de dinheiro, o setor de loterias e sorteios registrou 824 operações atípicas em agosto de 2015, bem superior à média mensal de 375 de 2014.
Na comparação de médias mensais, o Coaf também apurou um aumento de 10% no número de operações com bens de luxo e de alto valor, da média mensal de 384 em 2014 para a média de 425 atípicas nos oito meses de 2015.
Embora em menor quantidade de operações, o Conselho ainda verificou um aumento médio de 19% nas movimentações com joias, pedras e metais preciosos, de 38 casos por mês em 2014 para 46 registros por mês no acumulado de janeiro a agosto de 2015.

Fonte: DCI