Brasil

‘Brasil está na faixa de segurança‘, diz presidente do Banco da China

22/09/2015

O representante da instituição Zhang Guang Hua, apesar de se mostrar otimista com a economia brasileira no longo prazo, chama atenção para as dificuldades do País nos próximos dois anos

À frente do maior banco chinês em território brasileiro, Zhang Guang Hua tem visão otimista sobre o futuro do País. Entretanto, executivos asiáticos admitem que a crise econômica ainda vai durar, no mínimo, um ano.
"A China é o maior parceiro comercial do Brasil há seis anos", lembrou Hua durante evento realizado em São Paulo na última sexta feira. O presidente do Banco da China ressaltou que mais de 200 empresas chinesas operam no País e que as trocas comerciais entre as duas nações alcançaram US$ 86 bilhões no ano passado, "23 vezes mais do que a quantidade vista no começo do século".
Hua disse ainda que costuma contar a seus colegas chineses que o Brasil "tem um sistema industrial sólido, um setor de serviços avançado e quantidade relativamente alta de reservas internacionais". As áreas de mineração e agronegócio também foram ressaltadas pelo chinês no evento, que completou: "não precisamos ser tão pessimistas em relação ao desenvolvimento brasileiro".
Com raro otimismo em relação ao futuro do País, Hua admitiu, porém, que há fraqueza no crescimento econômico recente. Em seguida, revelou preocupação sobre o déficit financeiro e disse aos presentes: "precisamos estar preparados, pois enfrentaremos dificuldades por um ou dois anos". Ainda assim, ele concluiu dizendo que "o Brasil ainda está na faixa de segurança" e que o especialista confia no "potencial brasileiro".
Também presente no evento, Peng Jiang, CEO da Chery no País, compartilhou opinião um pouco mais pessimista. Ao abordar a instabilidade da economia brasileira, o executivo comparou a rápida elevação do câmbio com o crescimento da temperatura em São Paulo durante a semana passada. Do lado de fora, o termômetro marcava 34ºC.
Além da desvalorização do real, que "aumentou custos" para a Chery, o empresário falou sobre um "decrescimento de 20% setor automotivo" e disse que a companhia espera contração de 2% do PIB brasileiro em 2015. "A inflação deve ficar acima dos 9% neste ano."
Sobre o futuro da empresa, Jiang disse que os planejamentos para curto e médio prazo estão mantidos e que está sendo feita expansão "para os setores de peças e tecnologia". Ele também destacou o objetivo de "aperfeiçoar a estrutura e reduzir custos", para passar pelos "dois anos de inverno" que estariam por vir.
Bioceânica
A autoridade brasileira presente no evento buscou promover a construção da Bioceânica, rota que ligará o Atlântico ao Pacífico, passando por Brasil e Peru. Secretário adjunto do Ministério do Planejamento, Carlos Lampert afirmou que trechos da ferrovia serão leiloados já no ano que vem, "com foco para a empresa que apresentar a menor tarifa".
O governo brasileiro busca o acerto de parcerias público-privadas (PPPs) para realizar a obra e o investimento do país asiático é visto com bons olhos. "Os empresários chineses têm grande interesse nessa obra, que funcionará como canal de escoamento da produção agrícola brasileira para os portos do Pacífico", disse o secretário adjunto. "Eles [os chineses], inclusive já estão envolvidos no trabalho: existe uma consultora chinesa fazendo os estudos de traçado da ferrovia", completou. E segundo Lampert, a desaceleração da economia chinesa não preocupa o governo brasileiro.

Fonte: DCI