Brasil

Ganho em fundo de pensão começa a melhorar com aportes em renda fixa

22/09/2015

Entidades fechadas de previdência complementar atingem patrimônio líquido de R$ 729 bilhões, mas representatividade de 12,8% no Produto Interno Bruto brasileiro segue praticamente estável

Após dois anos de resultados consolidados ruins em 2013 e 2014, o segmento de fundos de pensão fechados começa a mostrar rentabilidade com os juros altos em aplicações de renda fixa (pública e privada).
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) divulgados na última sexta-feira, o patrimônio das associadas atingiu R$ 700 bilhões, e do total das entidades o montante de R$ 729 bilhões, o equivalente a 12,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio de 2015 ante 12,7% do PIB em dezembro de 2014.
As entidades fechadas (fundos de pensão) registraram nos primeiros cinco meses de 2015 um aumento da participação do patrimônio em fundos de investimentos em renda fixa para 48,9% do total (R$ 342,215 bilhões), ante a participação de 47,7% em dezembro último, quando era de R$ 320,53 bilhões.
Em termos de elevação do patrimônio das entidades em fundos de renda fixa isso representa um crescimento de 6,76% na comparação com dezembro de 2014, ao passo que a rentabilidade das carteiras de renda fixa acompanhadas pela Associação de Mercados (Anbima) oscilou entre 5,09% em crédito livre, 5,55% em renda fixa tradicional e 6,81% para renda fixa índices de preços em igual período de comparação.
O patrimônio em títulos públicos cresceu 10,45% em cinco meses de 2015 para o volume de R$ 92,062 bilhões, elevando a participação percentual de 12,4% do total em dezembro de 2014 para 13,2% em maio de 2015.
Para efeito de comparação de rentabilidade, o índice da Anbima que acompanha a carteira geral de títulos públicos (Ima-Geral) avançou 6,2% até maio, enquanto o Ima-S (da taxa Selic) havia subido 4,82%, e o Ima-B (dos títulos públicos de inflação NTN-Bs) tinha saltado 8,83% em igual período de cinco meses.
Segundo o diretor de análise técnica da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), José Roberto Ferreira, a ideia vinculada pela imprensa de que os fundos de pensão financiam a expansão da dívida pública via a aquisição de títulos públicos federais está equivocada.
"Nos últimos dez anos o nível de concentração em títulos públicos federais está entre 40% a 45% do total de recursos, enquanto mais da metade dos recursos dos planos são canalizados para investimentos de natureza privada, seja no mercado de capitais, no mercado financeiro, em títulos bancários e outras operações", disse o diretor ao DCI, após participar do 7º Conseguro, realizado, em São Paulo.
Ferreira contou que o segmento reúne 317 entidades em 1,1 mil planos que atendem 3,2 milhões de participantes. "A política de investimento muda de um plano para outro, mas naqueles mais maduros, o título público é mais importante por causa de liquidez [capacidade de resgate rápido], mas na ótica agregada, ainda que você retire os planos patrocinados por empresas públicas, as demais patrocinadas por empresas privadas tem uma participação maior em título público, mas não no nível que se pensa, 80%. É muito menos, talvez na faixa de 60%", diz.
O diretor avaliou que nos últimos cinco anos, tanto as entidades patrocinadas por empresas públicas como os planos patrocinados por companhias privadas buscaram aplicações em papéis bancários e em debêntures, devido a limitação de rentabilidade em títulos do governo. "Só agora tivemos um descolamento."
Nos dados disponíveis percebe-se que houve um encolhimento da participação percentual do patrimônio em renda variável (ações e fundos de ações). "Se as taxas reais de juros caírem no futuro, a alternativa é o mercado privado", aponta o diretor da Previc.
Dificuldades localizadas
Ferreira considerou que os planos patrocinados por empresas estatais estão mais maduros. "A maioria desses planos está pagando mais benefícios, do que recebem contribuições. E consequentemente, o perfil de investimento tem ser adequado a essa realidade e sofre uma pressão natural de liquidez. Está claro que esse tipo de plano não pode mais buscar investimentos com nível de risco que dê retorno maior, mas que comprometa a liquidez", identificou o diretor.
As entidades fechadas de empresas públicas resgataram R$ 3,96 bilhões de fundos de investimentos no ano até julho último, principalmente de carteiras multimercados, segundo dados coletados pela Anbima.
Por outro lado, Ferreira diz que os planos patrocinados por empresas privadas são mais recentes. "Nesse caso, eles têm um espaço de capitalização maior e podem ter perfis de investimento mais alongados e propensos a exposição ao risco, por isso, talvez, um retorno maior", considerou.
Em outra linha de avaliação, o secretário da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar (SPC) Jaime Mariz de Faria Júnior, disse que o sistema fechado é muito sólido. "Dos mais de mil planos, apenas 4 estão com problemas. As perdas são marginais, são pontos fora da curva", diz.
Os 4 planos (Previ, Petros, Funcef e Postalis) patrocinados pelas empresas estatais (Banco do Brasil, Petrobras, Caixa Econômica Federal e Correios) estão com menor rentabilidade desde 2013. A Previ tinha patrimônio de R$ 171,2 bilhões em 2014, seguido por Petros com R$ 70 bilhões, Funcef em R$ 57,5 bilhões, e Postalis com R$ 8,3 bilhões.
Num horizonte de mais longo prazo, desde 2006, a média de rentabilidade do setor de fundos de pensão é de 12,81% ao ano, enquanto o Ibovespa teve média anualizada de 4,96%, o DI ficou em 10,88% ao ano; e o Ima-Geral exibiu alta de 12,35% anualizado.

Fonte: DCI