Brasil

‘Economia verde‘ do BNDES cresce

18/09/2015



Desembolsos sustentáveis do banco público destinam maiores quantias para hidrelétricas e transporte ferroviário. Florestas são ‘esquecidas‘ neste ano.

Os desembolsos com projetos de sustentabilidade feitos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) cresceram no último ano. Mas especialistas questionam se hidrelétricas e transporte ferroviário realmente ajudam o meio ambiente.
O BNDES gastou quase R$ 14,6 bilhões com a área denominada "Economia Verde" no primeiro semestre de 2015. Nos 12 meses terminados em junho deste ano, os investimentos para o setor chegaram a R$ 32 bilhões, crescimento de 23% em relação aos 12 meses encerrados um ano antes. O incentivo é feito a partir de empréstimos com juros subsidiados em valores abaixo da média do mercado.
No grupo que compõe a "Economia Verde" estão incluídos gastos com setores bastante diferentes. Aparecem desde os desembolsos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) até os investimentos com o Fundo Amazônia, que busca conservar a maior floresta do planeta.
Entretanto, nem todos os gastos considerados "verdes" pelo banco público parecem tão sustentáveis. Dois dos grandes beneficiados desta área são responsáveis por obras de hidrelétricas e de transporte ferroviário. De acordo com a assessoria de imprensa do BNDES, estes setores receberam pelo banco no primeiro semestre deste ano, mais de R$ 5,8 bilhões.
"A maioria das hidrelétricas está na região Norte, em rios amazônicos, e não tem nada de verde. O impacto ambiental e social é grave, gigantesco e irreversível", diz Larissa Rodrigues, da área de Clima e Energia do Greenpeace. "As obras não estão trazendo avanço econômico para a região e causam perdas inestimáveis para fauna e flora", completa.
Para Rodrigues, o banco deve favorecer outras fontes de energia: "é necessário aproveitar o potencial enorme para energia eólica e solar que existe no Brasil". Ela afirma que "se somarmos os valores destinados a energia eólica e solar, não chegaremos ao valor passado para apenas uma das grandes hidrelétricas".
Sobre as ferrovias, Rodrigues ressalta que "várias obras que estão sendo feitas na Amazônia aumentam o desmatamento na região e tem impacto grande para o meio ambiente".
A quantia destinada para estas construções é a grande responsável pelo aumento do segmento "Economia Verde" em 2015: os gastos cresceram para transporte de carga (51%) e hidrelétricas (43%).
Por outro lado, o Fundo Amazônia recebeu bem menos, cerca de R$ 440 milhões, em um período quatro vezes maior, de 48 meses. O Fundo Clima, que, entre outros objetivos, incentiva o combate ao aquecimento global, também foi menos favorecido, tendo R$ 37,5 milhões de incentivo do BNDES entre janeiro e junho deste ano. Neste semestre, os desembolsos para preservação das florestas brasileiras caíram 50% em relação a 2014.
"No momento em que vivemos, com secas e aquecimento global, é um absurdo que o BNDES não tenha um programa consistente em favor das florestas", destaca Tharcisio Souza Santos, professor de economia da FAAP.

Fonte: DCI