Brasil

Com câmbio favorável, brasileiros promovem suas empresas no exterior

17/09/2015

Em setembro, grupos de empresários já visitaram Itália, Reino Unido e Paraguai. Segundo especialistas, também há maior aproximação com Estados Unidos e países da América do Sul

O real desvalorizado tem incentivado empresários a ampliarem suas vendas para outros países. Viagens para Europa e América Latina e Estados Unidos ganham espaço na agenda dos brasileiros.
As exportações tem papel importante no Brasil neste ano, aparecendo como uma via de escape em tempos de crise. E os empresários do País não estão parados: missões internacionais, principalmente para países europeus, acontecem com maior frequência no segundo semestre de 2015. O objetivo é divulgar os produtos nacionais, agora mais baratos, e, se possível, trazer novos acordos para casa.
"É bastante claro que, com a alta do dólar e uma recessão interna violenta, a tendência é que as empresas daqui busquem maior espaço no mercado externo", diz Mauro Rochlin, professor de MBA da FGV.
"De fato, há um interesse maior em exportar e buscar compradores diferentes", concorda Fábio Faria, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "Já que os importadores tradicionais, como Argentina e Venezuela, estão em crise, há uma maior aproximação com países europeus e com os Estados Unidos, além de outras nações sul-americanas, como México e Colômbia", completa.
No começo deste mês, representantes de quinze empresas brasileiras foram à Itália. A viagem foi organizada por uma série de entidades que buscam ampliar as exportações, como a Federação e o Centro das Indústrias de São Paulo (Fiesp/Ciesp) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). No país europeu, os empresários participaram de seminário técnico com foco nas regulamentações do mercado local e conheceram melhor as tendências de consumo do continente.
No ano passado, o Brasil ficou na 24ª posição do ranking de origem das importações feitas pela Itália. As vendas brasileiras para o país europeu se concentraram em minérios (15,7%), pastas de madeira (14,9%) e café, chá, mate e especiarias (13,8%).
A Itália não foi o único país europeu visitado por brasileiros neste ano. Com o apoio do governo britânico, executivos de 54 empresas e organizações empresarias pousaram no Reino Unido no último dia 8. A finalidade da viagem foi aproximar instituições, governo e empresas dos dois países.
Outro destino visitado recentemente por brasileiros foi o Paraguai. O ministro Armando Monteiro, da pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) acompanhou um grupo com representantes de 59 empresas em uma viagem ao país na semana passada. Segundo a assessoria do ministério, a viagem teve como objetivo "aumentar o comércio e os investimentos bilaterais entre as duas nações".
Sobre o aumento das vendas para o exterior, Rochlin afirma que "o crescimento das exportações de commodities, que também depende da cotação internacional dos produtos, acontece mais rapidamente com a alta do dólar". A negociação de manufaturados, por outro lado, "é mais lenta, já que o cliente precisa notar uma estabilidade do câmbio brasileiro para trocar um fornecedor chinês, por exemplo, por um do Brasil".
O economista também ressalta que o próprio empresário brasileiro precisa de maior segurança para ampliar suas vendas. "É complicado fechar um contrato de dois anos sem saber se o câmbio e, consequentemente, o valor dos produtos, continuará o mesmo durante este período."
Cenário favorável
A combinação de real desvalorizado e mercado interno em recessão amplia a atratividade de produtos "made in Brasil" no exterior. Comprado por R$ 3,83, o dólar, que há poucos anos era negociado por R$ 1,50, "não deve valer menos que R$ 3,50 neste ano", aposta Rochlin. Dessa forma, "continuará alta a receita em reais do exportador nacional".
A crise econômica no Brasil também incentiva a aposta em outros países. De acordo com Faria, "o mercado interno muito ruim faz com que a única alternativa do produtor seja buscar o mercado externo".
Entre janeiro e agosto deste ano, o saldo comercial brasileiro (exportações menos importações) alcançou US$ 7,3 bilhões. O valor é bastante superior ao resultado de todo o ano passado, que ficou negativo em US$ 4 bilhões.

Fonte: DCI