Brasil

Fugindo da crise, empresas nacionais buscam ampliar presença no exterior

10/09/2015

Ranking feito pela Fundação Dom Cabral coloca a empresa Fitesa como líder entre as multinacionais brasileiras que crescem no exterior. Odebrecht aparece na segunda colocação


As operações de companhias brasileiras em países estrangeiros cresceram em 2014. Pequenas, médias e grandes empresas, de diversos setores, correm da crise e buscam receitas fora do Brasil. O fluxo de lucro do exterior pode favorecer também o País.
Mais de sessenta multinacionais brasileiras que trabalham em cem países do globo foram estudadas pela escola de negócios Fundação Dom Cabral (FDC). O resultado da análise aponta que a presença e a atuação das companhias em outros países cresceram de 22,9% em 2013, para 24,5% no ano seguinte. Entre outros dados, o estudo mostra também que 59% das empresas já presentes no exterior deverão ter suas operações internacionais ampliadas no futuro.
"A situação econômica pouco favorável no Brasil estimula o crescimento dos negócios em outros países", afirmou Sherban Cretoiu, representante da FDC. "O telefone não para de tocar lá na Fundação, são empresários que querem levar suas companhias para fora ou ampliar um trabalho já existente", completou ele.
O otimismo é compartilhado por Sandro Nogueira, representante da Fitesa. "Nossa empresa começou o processo de internacionalização em 2009. Hoje, trabalhamos em vários países e somos a segunda maior do setor no mundo", disse pouco depois que a empresa do ramo de não tecidos foi anunciada como a líder do Ranking das Multinacionais Brasileiras.
A lista, divulgada anualmente pela FDC, conta com outros candidatos de peso. A segunda colocada foi a Construtora Norberto Odebrecht, que viu seu trabalho no exterior ganhar maior representatividade em meio às investigações da Lava Jato. Completam o top 5, a Intercement, produtora de cimento, a siderúrgica Gerdau e a Stefanini, consultora do ramo de TI. Outras grandes, como Marfrig, JBS, Minerva Foods, Votorantim e Vale, também aparecem entre os 20 primeiros colocados.
Para a classificação, as empresas foram ordenadas de acordo com um índice de internacionalização, composto pela soma de ativos, receitas e funcionários no exterior. O resultado é divido pelo total de ativos, receitas e funcionários. O número obtido pela conta vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a representatividade das operações em outros países para a empresa.
A FDC também montou um ranking com participação exclusiva das empresas de médio porte, com faturamento anual de até R$ 1 bilhão. No topo da lista, aparece a Artecola, produtora de insumos químicos e suprimentos industriais, com índice em 0,521. A indústria de equipamentos CZM (0,492) ocupou a segunda colocação e a tecelagem Tavex Santista (0,350) completou o pódio.
Os países que mais recebem empresas brasileiras também foram apontados pela pesquisa. Os Estados Unidos, anfitrião para 39 companhias, ficou à frente de uma série de países sul-americanos: Argentina (34), México (26), Colômbia (25) e Chile (24). A China aparece na sexta colocação, por receber 22 empresas do Brasil. Peru e Uruguai ficaram empatados com o país asiático. De acordo com o levantamento, 33 países receberam novas operações de mais de 20 empresas brasileiras durante o ano passado.
A diminuição do número de companhias na Argentina foi ressaltada por Cretoiu, que indicou "decisões políticas" como a causa da queda nos últimos anos. A professora Lívia Barakat, que também produziu o estudo do FDC, destacou o aumento do número de empresas brasileiras na África e na Ásia. Ela também falou sobre uma "retomada" na Europa, após anos de turbulência econômica no continente.
Ailtom Nascimento, vice-presidente do Grupo Stefanini, empresa com participação em mais de trinta países, afirmou que "em um cenário de alta competitividade, como é o caso do nosso setor [tecnologia da informação], ou você internacionaliza ou acaba sendo incorporado". Ele também anunciou a abertura de operações em Cingapura, "nosso trigésimo quinto país".
A expansão de empresas brasileiras para países culturalmente diferentes também foi abordada pela FDC. Barakat indicou como grande desafio a adaptação dos processos da empresa matriz à nova casa. Também causam dificuldade outros pontos relacionados ao tema: a utilização dos recursos fora do Brasil, a adequação à realidade local e o relacionamento com clientes e funcionários estrangeiros.
Franquias no exterior
A análise da Fundação Dom Cabral também estudou as empresas brasileiras que têm seus nomes espalhados pelo mundo graças a franquias. Nomes mais conhecidos, como Carmen Steffens, Chilli Beans e Vivenda do Camarão dividiram espaço com iGUi Piscinas, Localiza, Dudalina e outras potências do setor.
Para a produção de um novo ranking, foram somados as receitas provenientes de royalties e taxas em outros países, os ganhos com venda de produtos para franqueados estrangeiros e a quantidade de unidades no exterior. O resultado foi dividido pela soma de receitas totais de royalties e taxas, ganhos com venda de produtos para franqueados e quantidade total de unidades. Assim, nasceu o índice de internacionalização de franquias.
Disparada na primeira colocação, aparece a iGUi, que possui franquias vendedoras de piscinas em 23 países. Na segunda colocação, figura a Localiza, que trabalha com aluguel de carros. Em seguida, surgem a camisaria Dudalina, a grife Carmen Steffens e a clínica de estética Depyl Action.
Além da ampla internacionalização da iGUi, também chamam a atenção o alcance da Carmen Steffens, que possui franquias em 10 países, da Localiza (8) e da Chilli Beans (7).

Fonte: DCI