Brasil

Empresa pode economizar até 20% se comparar taxas de juros nos bancos

10/09/2015

Clientes pessoas jurídicas nem sempre fecham com os bancos para pagar as menores tarifas, mas concretizam as operações de financiamento se o desembolso for mais rápido e sem a burocracia

As pequenas e médias empresas podem economizar até 20% no custo com juros se compararem as taxas nas modalidades de financiamento para pessoas jurídicas (PJs) junto aos bancos comerciais, financeiras e factorings.
A informação foi divulgada ontem pela plataforma (portal) de antecipação de recebíveis Intoo, que possui parceria com 53 instituições financeiras e atende entre 2 mil e 3 mil empresas ativas.
"As taxas variam muito de uma instituição para outra. É possível fazer uma economia de até 20% com juros se for feita uma comparação eletrônica", afirmou o diretor financeiro da Intoo, Bruno Maggi.
Mas o executivo acrescentou que nem sempre as pequenas e médias empresas fecham as operações com os bancos pela menor taxa de juros. "Eles preferem as instituições que desembolsam mais rápido ou que exigem menor burocracia", disse.
Para o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, pesquisar as taxas de juros das modalidades de financiamento cobradas pelos bancos é fundamental. "Serve como uma referência e deve-se também pesquisar o custo da abertura de novas contas bancárias em outras instituições", orientou Miguel de Oliveira.
Ele constata que as taxas de juros para pessoas jurídicas subiram muito ao longo de 2015 e que os bancos estão muito seletivos na concessão de crédito. "Nesse momento, o financiamento depende do relacionamento da empresa com o seu banco", observou.
Segundo os dados do último boletim de operações de crédito do Banco Central, de fato, as taxas de juros nas modalidades de financiamento com recursos livres não pararam de subir. No desconto de duplicatas, por exemplo, a taxa média saltou de 34,7% ao ano em junho para 37,3% ao ano em julho.
Na linha de desconto de cheques, a taxa de juros avançou de 41,7% ao ano em junho para 42,3% ao ano em julho, e na antecipação de faturas de cartão de crédito, os juros pagos por empresas aumentaram de 41,4% ao ano em junho para 42,4% em julho último.
"Todos os indicadores das modalidades para pessoas jurídicas apresentaram uma piora, as taxas de juros subiram, o prazo encolheu e a inadimplência (calote) aumentou. A tendência é que as condições de crédito piorem ainda mais nesse momento de contração da economia", diz Oliveira.
Desde o início do ano, a concessão via descontos de duplicatas recuou 13,1% para R$ 9,66 bilhões em julho; em igual período, o crédito via desconto de cheques caiu 16,7% para R$ 2,99 bilhões, e o volume de concessões para antecipação de faturas de cartões mostrou queda de 16,1% para R$ 2,85 bilhões.
A restrição de crédito também alcança linhas de capital de giro. Na modalidade para prazo inferior a 365 dias, a concessão recuou 7,4% no ano para R$ 6,6 bilhões em julho. Na modalidade com prazo acima de 365 dias, o volume concedido caiu 4,2% no ano para R$ 11,21 bilhões em julho.
Ao mesmo tempo, a taxa média de juros para obtenção de capital de giro para prazo inferior a 365 dias (um ano) aumentou para 24,1% ao ano em julho, ante 23,7% anterior. Na modalidade de capital de giro com prazo acima de 365 dias, a taxa média de juros subiu para 23,1% ao ano.
Mas na avaliação de Maggi, a restrição de crédito nos grandes bancos comerciais fará com que mais pequenas e médias empresas pesquisem alternativas para tomar empréstimos de capital de giro.
Sobre a questão da burocracia, Maggi explicou que após o cadastro completo junto às instituições financeiras, é possível reduzir o tempo de antecipação de recebíveis para até 48 horas após aprovação. "As pequenas e médias empresas também precisam economizar tempo. Em nossa plataforma eletrônica facilitamos esse processo, reunimos toda a documentação necessária da empresa no cadastro, e depois, a instituição financeira só precisará de informações específicas", diz o diretor financeiro.
Expectativas da Intoo
Até o final de 2015, a Intoo espera atingir R$ 100 milhões em volumes transacionados por meio da plataforma eletrônica que compara linhas de antecipações de recebíveis em diferentes instituições financeiras. No Brasil, hoje, existem mais de 7 mil factorings e fundos de investimento em direitos creditórios capazes de realizar operações com recebíveis.
"Grande parte dos problemas das pequenas e médias empresas em relação ao crédito pode ser resolvida através do uso da tecnologia, que reduz o custo para empresas e bancos", diz Maggi. Entre os acionistas da Intoo estão os fundos internacionais de investimentos Accion Venture, Red Point e Monashees.

Fonte: DCI