Brasil

Fabricantes de autopeças revisam previsão de queda para 19% este ano

01/09/2015

A produção de componentes é uma das mais afetadas pela crise na indústria automotiva e só deve voltar a crescer em 2018. Entre 2013 e 2015, mais de 55 mil postos de trabalho foram cortados

Sem perspectiva de melhora do mercado no curto prazo, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) revisou ontem a queda no faturamento este ano. Agora a entidade espera uma retração de 19% ante previsão de recuo de 16% sobre 2014.
"O mercado interno está realmente muito devagar. Esperamos uma recuperação moderada apenas a partir de 2017 e uma consolidação da retomada do crescimento mesmo só daqui a três anos, em 2018", disse o presidente do Sindipeças Paulo Butori.
Em entrevista exclusiva ao DCI, durante o 1º Encontro Estratégico das Lideranças do Setor Automotivo, em São Paulo, ele estimou que as autopeças faturem US$ 19,5 bilhões até dezembro, contra faturamento (não consolidado) de US$ 32,6 bilhões no ano passado.
Para Butori, o mercado de autopeças deve continuar castigado no ano que vem, somando cerca de US$ 18,2 bilhões em faturamento, redução de 6,6% sobre a previsão para 2015.
Segundo ele, a retração nas vendas provocou um corte nos postos de trabalho, que passaram de 220 mil em 2013 para 165 mil em 2015. "São 55 mil pessoas [demitidas] com salário médio elevado, bem treinadas, e com filhos para sustentar", lamentou.
Butori também criticou a ausência de estímulos do governo para subsidiar uma recuperação mais rápida da indústria de autopeças. "[O setor] está muito debilitado e o governo ajuda mais as montadoras, que repassam uma parcela desse auxílio para nós. Mas falta apoio direto", afirmou o dirigente.
Exportações
Na opinião do executivo, é hora de focar nas exportações de componentes. A estratégia, segundo ele, de estreitar relações internacionais tem sido intensificada com os associados. Não à toa, a previsão é de que haja um aumento de 7,3% nos embarques este ano.
Em 2014, foram exportados US$ 8,47 bilhões (em Free On Board, FOB, na sigla em inglês). Até dezembro, o Sindipeças prevê US$ 9,08 bilhões (em FOB) em exportações. "O mercado internacional continua aquecido e a exportação é uma das saídas. É uma alternativa interessante para todos nós do setor", comentou.
O aumento das exportações pode diminuir o déficit comercial da indústria de autopeças até o fim do ano que vem. O déficit, que já chegou a US$ 9,89 bilhões em 2013, deve ficar em US$ 4,84 em 2016.
De acordo com Butori, o Sindipeças tem incentivado seus associados a participar do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), que oferece consultoria empresarial gratuita aos empresários interessados em comercializar seus produtos no exterior. Além disso, o sindicato criou um conselho para assessorar as pequenas e médias (PMEs) empresas nesse período de crise.
"A indústria automotiva oscila mesmo. E os que mais sofrem com essa volatilidade são os pequenos", destacou ele.
Conjuntura
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, as oportunidades durante a crise estão atreladas à visão de futuro dos empreendedores.
"O Brasil tem uma das mais baixas taxas de motorização do mundo. São apenas 4,5 veículos por habitante. Na Europa, por exemplo, são dois habitantes por veículo. Ou seja, temos um mercado a ser mais bem explorado", admitiu no evento.
Moan acredita que os empresários devem voltar-se suas atenções para o interior do País, onde as vendas de veículos cresceram, conforme ele, 56% nos últimos dez anos.
"São cidades com até 500 mil habitantes e que representam 98% de todos os municípios do Brasil. Cerca de 70% da população está nessas cidades e essa é a visão de futuro que nós temos: aproveitar essa lacuna", observou Moan
O executivo espera que a cadeia automotiva, em geral, dê os primeiros sinais de recuperação no segundo semestre do ano que vem.

Fonte: DCI