Brasil

Empréstimos sindicalizados facilitam captações externas em cenário atual

01/09/2015

Por reduzir os recursos e riscos entre vários bancos, a operação permite que empresas brasileiras captem com juro menor, mesmo diante da possibilidade de o País perder o grau de investimento

Diante da possibilidade da perda do grau de investimento e da precificação do cenário econômico e político do País por investidores internacionais, a diluição de riscos dos empréstimos sindicalizados facilitam as captações externas de empresas brasileiras.
A opinião é de especialistas ouvidos pelo DCI, que afirmam que os estrangeiros já estão classificando o Brasil como grau especulativo - quando considera-se que o país pode dar calote em uma dívida contraída.
"Apesar de ainda termos o grau de investimento [selo de bom pagador], os investidores não querem comprar títulos com prêmios [juros] baixos. Nós estamos no limite da perda do grau e isso já está sendo precificado", avaliou Raymundo Maglaino Neto, diretor-presidente da Magliano Corretora.
Na segunda-feira passada, indicadores que medem o risco de investir no País - o Emerging Markets Bond Index (EMBI) e o Credit Default Swap (CDS) - atingiram os maiores patamares desde a crise de 2009. Com o aumento do risco, o Brasil e as empresas do País precisam aumentar os juros pagos nos papéis de dívida emitidos, para atrair a atenção do capital estrangeiro.
Nos últimos dois meses, os bancos Daycoval e ABC Brasil fizeram captações US$ 200 milhões cada por meio de crédito sindicalizado - quando o dinheiro é emprestado por mais de uma instituição e, consequentemente, os riscos de calote também são divididos.
"Essa diluição de risco é uma garantia adicional aos investidores que o crédito sindicalizado possui em relação aos empréstimos tradicionais, o que pode reduzir o valor do prêmio", observou Marcelo Cambria, professor de Finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).
Segundo Luiz Antonio Assumpção Neto, diretor de captação internacional do ABC Brasil, o banco procura diversificar o funding, e os empréstimos sindicalizados são uma opção com "taxas e prazos atrativos". "Os bônus [títulos de dívida externa] possuem volume e prazo maiores. Já os empréstimos bilaterais são mais curtos e têm volume menor. O crédito sindicalizado fica no meio termo", disse.
O empréstimo do banco foi feito junto a 10 instituições, com um prazo de dois anos, e será aplicado "pelo banco para fins corporativos gerais".
A captação do Daycoval, por sua vez, será empregada em financiamentos a pequenas e médias empresas, em diversos setores. De acordo com Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores da instituição, as condições de juros e prazos dos empréstimos lastreados nesses recursos serão os mesmos dos outros.
Riscos e proteção
Segundo os especialistas, por conta das oscilações do dólar, é provável que os bancos façam um hedge (proteção) da operação. "Assim, as empresas não ficam suscetíveis às flutuações da moeda estrangeira", disse Cambria.
Alexandre Sinzato, diretor de RI do ABC Brasil, afirmou que, normalmente, é feito um hedge das operações externas. "Se a tesouraria achar apropriado, vai fazer, mas também pode usar os recursos para financiar empresas brasileiras em moeda estrangeira", observou.

Fonte: DCI