Brasil

Reservas internacionais diminuem em julho

27/08/2015

A poupança em ativos estrangeiros do Banco Central teve nova queda e chegou a US$ 370 bilhões em julho. É o pior resultado mensal desde março de 2012, quando ficou em US$ 365 bilhões

A poupança em ativos estrangeiros do Banco Central (BC) teve nova queda e chegou a US$ 370,8 bilhões em julho deste ano, segundo balanço divulgado ontem pela autoridade monetária. É o pior resultado mensal registrado desde março de 2012, quando ficou em US$ 365,2 bilhões.
As reservas internacionais são compostas principalmente por títulos da dívida de outros países e moedas estrangeiras, adquiridos pelo Banco Central brasileiro quando há superávit nas relações comerciais. Ou seja, quando a quantidade de dólares que entra no país é maior do que o montante que sai, a reserva aumenta.
O caixa brasileiro de ativos estrangeiros teve crescimento significativo no começo do milênio, batendo recordes e chegando ao seu maior pico em junho de 2014, quando atingiu US$ 380,5 bilhões, pelo conceito liquidez. De lá pra cá, a tendência mudou e as reservas do Brasil caíram quase US$ 10 bilhões em pouco mais de um ano.
"Os agentes estrangeiros têm postura diferente hoje, favorecendo o dólar em detrimento do real, o que diminui a entrada de capital no Brasil e dificulta a acumulação de reservas", explica Lívio Ribeiro, pesquisador do IBRE/FGV. "O País está menos atraente do que há alguns anos, o que intensifica essa mudança de comportamento", completa.
Eduardo Mekitarian, professor de economia da FAAP, faz afirmação semelhante: "o processo de valorização de outras moedas frente o real é o principal causador dessa diminuição das reservas internacionais", diz.
Depois do recorde atingido em junho de 2014, a poupança de ativos estrangeiros terminou o ano passado em US$ 374 bilhões e continuou descendo. De acordo com o pesquisador da FGV, o resultado das reservas internacionais é um "reflexo da economia brasileira e global", acompanhando turbulências econômicas internas e externas, como o cenário recessivo vivido pelo Brasil nos últimos meses.
Resultados
O Banco Central divulgou ainda uma série de outros resultados relacionados ao setor externo. Chama a atenção a queda do investimento direto no País, que seguiu a trajetória de baixa apresentada em meses anteriores deste ano.
Os recursos trazidos por estrangeiros para o Brasil ficaram perto dos US$ 6 bilhões em julho. Em igual mês do ano passado, o resultado superou os US$ 9 bilhões. Na comparação entre os sete primeiros meses, também há queda expressiva: os US$ 55,4 bilhões de 2014 caíram para US$ 36,9 bilhões neste ano.
"A queda de investimento direto no Brasil acontece por causa de uma crise geral de confiança em relação ao País. O cenário econômico brasileiro deixa o investidor contido lá fora", diz Mekitarian.
"Essa diminuição do fluxo de capital estrangeiro piora a crise e gera mais problemas, como o aumento do desemprego", alerta o professor da FAAP.
Para Mekitarian, a retirada de capital estrangeiro, que já foi "intensificada pelas recentes diminuições das notas de crédito do Brasil", pode aumentar se as agências de risco tirarem o grau de investimento que o país ainda mantém.
O resultado do investimento direto no exterior também apresentou baixa na comparação entre os sete primeiros meses do ano passado e igual período de 2015, caindo de US$ 18,2 para US$ 12,7.
"Acontece hoje uma baixa disposição das empresas brasileiras, que são afetadas pela crise. A falta de capital impossibilita investimentos no exterior", diz Lívio Ribeiro. "Ainda que o fortalecimento do dólar seja favorável para exportações, a economia fraca no Brasil acaba pesando mais", completa.
Outro número revelado pelo Banco Central foi o resultado das transações correntes no mês de julho. O saldo, composto pela balança comercial de bens, além de serviços e renda, ficou negativo em US$ 6,1 bilhões. O déficit é menor que os US$ 9,2 bilhões negativos registrados no sétimo mês do ano passado.
Na comparação entre os sete primeiros meses, também houve melhora em 2015, já que o déficit de US$ 44 bilhões deste ano é inferior à conta negativa de 2014 (US$ 58 bilhões).
Para Ribeiro, esse alívio acontece "mais por causa da desaceleração geral da economia do que por causa de um aumento de competitividade no Brasil". O pesquisador acredita que a situação não deve melhorar tão cedo: "prevemos um cenário muito fraco, tanto neste ano quanto no próximo. A fraqueza da atividade econômica deve manter os resultados com o setor externo em níveis mais baixos", afirma.

Fonte: DCI