Brasil

Certificado de operação estruturada chegará no varejo alta renda até 2016

20/08/2015

Comissão de Valores Mobiliários deverá regulamentar a distribuição pública de COEs no segundo semestre de 2015, medida que facilitará o acesso desse produto financeiro ao cliente pessoa física

O certificado de operações estruturadas (COE) - aplicação financeira que combina instrumentos de renda fixa e de renda variável - pode alcançar o público de varejo alta renda até o próximo ano.
A expectativa de participantes desse mercado é que a regulamentação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) da distribuição pública de COE possa tornar esse produto mais acessível e com tickets de entrada menores, pois atualmente, o aporte médio nos principais bancos está em torno de R$ 100 mil.
"Já temos tickets mínimos na faixa de R$ 15 mil a R$ 30 mil, mas de fato, o ticket médio do COE está mais próximo dos R$ 100 mil", identificou o gerente executivo de desenvolvimento de negócios da Cetip, Fábio Zenaro.
Ele acredita que além dos grandes bancos brasileiros, que o COE também será distribuído por corretoras e bancos estrangeiros. "De 14 bancos da nossa lista, apenas 6 fazem operações de COE diariamente", contou.
Na avaliação do analista-chefe da Gradual Investimentos, Daniel Marques, o produto irá chegar no varejo. "A regulação [em vigor] restringe o acesso aos investidores muito sofisticados, o ticket alto já era uma barreira de entrada, mas a partir de novembro [próximo] com a instrução nº 555 [ICVM 555], um público bem informado poderá ter acesso e com tickets menores", aponta.
Marques explicou que o COE - apesar da aparência ser um produto considerado complexo - é um instrumento bastante simples. "Naturalmente o COE é defensivo, serve como instrumento de proteção [hedge] e a grande maioria dos investidores prefere a modalidade capital protegido", disse o analista.
Em exemplo aleatório, um COE de capital protegido faz uma aplicação a juros de mercado em renda fixa para um determinado período (90 dias, 180 dias, 360 dias ou 720 dias) que protege o capital inicial no final do prazo do contrato.
Na sequência, com a diferença (percentual do que sobrou da operação em renda fixa) se faz aplicações com outros ativos, opções ou derivativos; o que resultar dessas operações em renda variável compõe o rendimento extra (ganho) do produto.
Zenaro contou que do montante de R$ 6,8 bilhões de estoque em COE, cerca de 45% estão aplicados na família de proteção contra a inflação. "A família de câmbio [proteção para oscilação do dólar ou do euro] é a segunda classe de ativos mais procurada, 24% do total", diz o gerente executivo.
De acordo com os dados da depositária de títulos privados Cetip, do último dia 14 de agosto, a classe de COEs de inflação tem estoque de R$ 3,053 bilhões, seguido pela classe de COEs de taxa de câmbio com o volume de R$ 1,585 bilhão.
A aplicação em COEs de índices de ações internacionais somou estoque de R$ 983 milhões, ao par que a classe de COEs de índices de ações nacionais mostrou um estoque de R$ 789 milhões.
Em menor volume, a classe de cesta de ativos exibiu o montante de R$ 132 milhões, empatado com a família de taxa de juros. Na sequência, a família de COEs de ações nacionais mostrou estoque de R$ 57 milhões; ações internacionais com R$ 7 milhões e commodities com R$ 6 milhões.
"A aplicação via COE permite o acesso a uma diversidade imensa de ativos, que uma pessoa física teria muita dificuldade em montar sozinha, como o investimento na variação do índice Nikkei [bolsa de valores japonesa], do S&P 500 [índice de ações americano] ou da Euro Stoxx [índice de papéis da Europa]", afirmou o analista-chefe da Gradual.
Segundo a corretora, no primeiro semestre de 2015 houve um aumento de 431% na procura por COEs com rendimento vinculado a índices de bolsas estrangeiras, como o S&P 500 e o Euro Stoxx 50.
Mas mesmo com esse crescimento, por outro ângulo, Daniel Marques argumenta que o COE é apenas mais um produto financeiro no mercado. "Mesmo sendo um produto de proteção, não faz sentido colocar todo o seu dinheiro em COE. Ele serve como uma estratégia de diversificação", diz.
Rentabilidade variável
A quase totalidade das pessoas físicas prefere a modalidade de capital protegido (valor nominal protegido), enquanto uma pequena parcela dos investidores arrisca perder o capital inicial investido (valor nominal em risco). "No câmbio, 90% dos investidores são pessoas físicas, mas algumas empresas já estão utilizando o COE como hedge, proteção da variação de moedas", exemplificou Fabio Zenaro, da Cetip.
Apenas para citar como exemplo de rentabilidade nessa aplicação, os investidores de COE que no início do ano buscaram proteção contra a alta do dólar tiveram ganhos expressivos em sua fatia de renda variável nesse período. A moeda americana subiu 31%, enquanto os juros de mercado em aplicações de renda fixa tiveram rentabilidade próxima de 7,8% desde o início de 2015. O COE de proteção da alta de câmbio mescla esses ganhos.

Fonte: DCI