Brasil

Fabricantes veem chance de ampliar exportação, mas querem visibilidade

18/08/2015

Empresas do setor moveleiro observam que falta de conhecimento de compradores estrangeiros sobre produto brasileiro ainda é principal barreira para ganhar espaço no mercado internacional

As fabricantes brasileiras de móveis de maior valor agregado têm conseguido ampliar presença no mercado internacional. Mas para elevar as exportações moveleiras como um todo será preciso divulgar o design local, acreditam empresários do setor.
A estratégia de investir em design para agregar valor aos produtos e ter diferenciais frente aos concorrentes - defendida por analistas de mercado e representantes do setor de móveis - já começou a apresentar resultados positivos para algumas fabricantes nacionais.
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), Daniel Lutz, a expectativa é que as exportações do setor continuem em trajetória crescente nos próximos meses, influenciadas pela desvalorização do real, que torna o preço dos produtos mais competitivo.
"Até pouco tempo o setor vinha de um cenário de exportações estagnadas, em um patamar baixo, porque o câmbio não ajudava. Mas agora que o real está mais desvalorizado frente ao dólar e com as empresas olhando mais para o mercado externo, temos oportunidade de aumentar as vendas", afirmou.
A desaceleração do consumo interno é outro fator que deve estimular o investimento em exportação, lembra o dirigente. Mas as indústrias que planejam entrar no mercado global devem enfrentar algumas barreiras.
A principal delas é a falta de conhecimento e a imagem que os compradores internacionais têm do produto nacional. "Foi muito difícil entrar em novos mercados, porque os clientes não viam o País como um fornecedor de móvel de valor agregado", disse o diretor da Saccaro Móveis, João Saccaro. A empresa já exporta para 15 países e tem lojas nos Estados Unidos, México e Bolívia.
Ele contou que a Saccaro começou a investir na internacionalização da própria marca em 2004 como estratégia para manter o crescimento.
Entre as principais ações da Saccaro para aumentar a visibilidade da marca fora do País, está a participação em feiras de móveis internacionais. Nesses eventos, a fabricante, como outras empresas, recebe o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Diversidade
"Tornar o móvel mais conhecido é uma agenda em grande evolução dentro dos nossos programas de apoio à exportação e é verdade que ainda há muita coisa para ser feita. Mas, em mercados como o Oriente Médio e Ásia, nos temos conseguido imprimir uma imagem para o móvel brasileiro", detalhou o representante da Apex-Brasil, André Limp.
A variedade da matéria-prima local e a certificação é citada por ele como dois dos principais diferenciais do móvel nacional.
"A madeira certificada, resistente, contribui tanto para a construção da imagem do móvel acabado quanto para os componentes, porque é uma característica muito específica do Brasil. Não se encontra variedade e qualidade como aqui", lembrou.
Limp destaca também a importância de ampliar a base de fabricantes que comercializam regularmente seus produtos fora do País. O aumento do grupo de empresas permite o desenvolvimento de uma rede de apoio que tende a elevar a competitividade do País frente a concorrente do mesmo setor.
"Outra vantagem é a melhora da gestão e ganho de competitividade das empresas no mercado interno. Muitas delas, de médio porte e estrutura familiar, acabam passando por um processo de profissionalização."
Ele revela que os países com maior potencial e considerados prioritários para a Apex-Brasil, no projeto de exportação de móveis acabados, são Angola, Panamá e Arábia Saudita. Para o projeto de venda de componentes para a indústria moveleira internacional, os focos são África do Sul, Guatemala, Argentina e Turquia. "Já Estados Unidos, México, Colômbia e Peru são mercados prioritários nos dois segmentos", destacou ele.
Valor
Para promover os móveis de maior valor agregado fora da País, a estratégia da Apex-Brasil é focada em design próprio e personalização dos produtos. "A diferenciação competitiva com madeira certificada também ajuda a puxar o preço para cima, mas ainda assim é um valor que o comprador estrangeiro está disposto a investir", comenta Limp.
De acordo com o diretor da Butzke, Guido Otte, o uso de madeira certificada na confecção dos móveis permite trabalhar com preços em média 15% mais elevados. "A certificação é um grande mote que exploramos ao divulgar nossos produtos", comentou o executivo, em evento, recentemente.
Já para as fabricantes do segmento de menor valor agregado, a Apex-Brasil recomenda oferecer produtos que tenham custo-benefício como principal apelo, fugindo da competição pelo menor preço.
Na avaliação da consultora estratégica do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Ana Cristina Schneider, uma alternativa para as fabricantes de móveis de menor valor é o licenciamento. "Essas empresas podem produzir ou licenciar os produtos para fabricação em outros países, exportando serviço", contou.

Fonte: DCI