Brasil

Empresários ainda estão confiantes na atuação do ministro Joaquim Levy

18/08/2015

Em entrevista feita pelo DCI, executivos comentam que o fato de o representante da pasta da Fazenda não minimizar a situação econômica que o País passa é algo positivo para investidores

Empresários percebem problema no atual cenário econômico brasileiro, mas ainda permanecem confiantes diante dos possíveis resultados das medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para implantação do ajuste fiscal.
"Ele [Levy] tem um grande apoio de grande parte dos empresários, se não todos. E todos nós temos a expectativa favorável de que ele terá força para negociar os ajustes de forma mais efetiva", disse José Luis Freire, sócio da Tozzinifreire Advogados.
Para o empresário, apesar da dificuldade em se atingir uma efetividade total, os apoios que o ministro está conseguindo "costurar" são fundamentais ao País.
De acordo com Levy, a perspectiva atual é positiva. Ele diz que os riscos que existiam no começo deste ano foram reduzidos e que a economia, por sua vez, volta a se equilibrar em patamares melhores do que os previstos.
"Havia receio quanto à crise da Petrobras, além de preocupações quanto ao possível racionamento de energia e a dúvida em relação aos equilíbrios macro e fiscal, prevendo direcionamentos de perda do grau de investimento e uma situação caótica fiscal. Eu diria que esses riscos, se não foram completamente eliminados, foram bastante reduzidos", afirmou durante evento realizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham SP), na sexta-feira passada.
Para Gaetano Crupi, presidente da Bristol-Myers Squibb no Brasil, a transparência de Levy tem sido fundamental para o período que o Brasil está passando, e é preciso enxergar o atual cenário econômico por perspectivas mais positivas e, segundo ele, "cortar a inércia das más notícias".
"Uma das coisas que estamos vendo é que o ministro não está escondendo que temos um problema. Então, em algum momento temos que começar a olhar o copo, se não totalmente cheio, meio cheio, pelo menos. A gente espera que o Levy continue nesse ritmo pra fazer dar certo, e mesmo que as medidas não alcancem 100% do esperado, acho que estamos no caminho", opinou o empresário.
No evento, Levy, além de destacar a cobrança da Cide e o ajuste nos preços da energia elétrica, ainda ressaltou que as medidas de ajuste fiscal foram mais inflexão do que um "extraordinário aperto".
"Não foi o ajuste fiscal que fez a economia parar. Na verdade, a economia já vinha desacelerando e por isso foi tão importante começarmos o ajuste. Se olharmos o superávit estrutural, que atualmente é um déficit, a gente verifica que o balanço fiscal primário já vinha se deteriorando desde 2012", afirma o ministro.
Medidas
Além de reformas tributárias nos regimes de PIS/Cofins que preveem uma elevação na alíquota de importação de 9,25% para 11,75%, Levy defende a tributação de um único valor agregado no setor industrial, de comércio ou serviços, de maneira a simplificar esse processo nas empresas.
Ele também enxerga as mudanças na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como uma das formas de alavancar a economia.
"O risco da morte súbita de empresas que já está exposto, não vem da reforma do ICMS, mas da inércia. O risco está em não fazermos nada. As empresas que existem hoje podem perder seus benefícios inconstitucionais e gerar um desequilíbrio", reflete.
Sobre a reforma, o ministro também afirma que apesar da convergência das alíquotas ser uma resolução do Senado, "os aspectos relacionados ao financiamento dessa transição" passam pela Câmara.
Para Luis Afonso Pasquotto, presidente na América do Sul da Cummins, uma articulação no Congresso de forma sensata é o determinante para as ações fiscais. "Também pensar em propostas para administrar a situação que virá depois que o ajuste acabar é importante para levar a economia nesse momento", analisa.
Segundo o ministro, o Banco Central (BC) já está vigilante para trazer a inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo governo e ressalta que uma reestruturação econômica se faz necessária no Brasil.
"O reflexo é imediato. O Brasil, independentemente de qualquer outra coisa, tem que fazer uma reengenharia muito importante. Nós não temos mais aquele empurrão das commodities, e teremos que usar outras coisas para ser uma economia de sucesso e crescer", afirmou. Sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Levy afirmou ser preciso muito cuidado para lidar com mudanças nas regras. "O FGTS é um fundo no qual o governo já investiu muito dinheiro pra garantir os recursos dos cotistas. Ele é um fundo que na verdade tem certa concentração. Se você aumenta a remuneração, significa que você também terá que aumentar a prestação da casa própria. E eu não sei se agora é o momento ideal para isso. Isso pode criar um desequilíbrio dentro de um fundo que amanhã pode significar ou incerteza pro trabalhador ou forçar o governo a ter que salvar o fundo igual ele fez em outras circunstâncias", avalia Levy.
De acordo com o ministro, o fundo também implica nas áreas de saneamento e infraestrutura, e determina que o objetivo de maior importância é observar o quanto tais medidas afetam o cidadão com renda mais baixa. "É óbvio que todos querem retorno de seus investimentos gerais, mas é preciso ter cuidado com o que acontece do outro lado", disse.

Fonte: DCI