Brasil

Bancos médios ampliam consignado e direcionam empréstimos para nichos

18/08/2015

As instituições que têm operações mais voltadas para o varejo tiveram maior aumento do crédito, na variação trimestral, enquanto os que focam os financiamentos nas empresas tiveram redução

Os bancos médios com operações mais voltadas para o varejo (consumidores) registraram crescimentos mais expressivos na carteira de crédito, em especial no empréstimo consignado, do que as instituições mais direcionadas para o atacado (empresas), no segundo trimestre de 2015.
No Paraná Banco, que tem 73,9% da carteira voltada para o crédito consignado, por exemplo, os empréstimos cresceram 0,8% no trimestre e 16,8% no ano, para R$ 3,82 milhões em junho.
O Banco Pan, por sua vez, aumentou a carteira em 1,9% no trimestre e 14,8% no ano, para R$ 18,2 milhões, conseguindo, inclusive, reverter prejuízo de R$ 73,5 milhões do trimestre anterior, com um lucro de R$ 3,6 milhões. Enquanto em junho de 2014, o consignado representava 14,3% da carteira do banco, na metade deste ano essa fatia saltou para 28,6%.
Paralelamente, no Indusval, por exemplo, que tem a carteira voltada para companhias, o estoque de financiamentos caiu 21,4% na variação trimestral e 22,7% na variação anual, para R$ 3,03 bilhões em junho.
Em seu relatório, o banco apontou que está reduzindo propositalmente a carteira, em função do cenário macroeconômico, e que pretende chegar a cifra de R$ 2,3 milhões nos próximos meses, focando as operações em setores específicos. "Continuaremos nossa atuação em nichos específicos do mercado de crédito com grande capacidade de geração de valor, porém cautelosos, tendo em vista as incertezas que o momento atual apresenta", informou.
Na mesma linha, a carteira de crédito do Pine apresentou queda de 10,7% na variação trimestral e de 14,1% na anual.
Gestão de riscos
No Banco ABC Brasil, a carteira de crédito caiu 2% na variação trimestral, porém cresceu 8,3% na comparação interanual. Se excluídos os créditos concedidos por meio de compra de títulos privados e as garantias prestadas, contudo, os empréstimos avançaram 0,6% no trimestre e 12,7% no ano.
A evolução já é reflexo da estratégia do banco, de direcionar os empréstimos para companhias maiores - hoje, a empresa precisa ter um faturamento mínimo de R$ 50 milhões por ano para conseguir se financiar no banco.
"Na maior parte das vezes, empresas que tem porte maior estão mais organizadas financeiramente, têm um balanço mais forte e estão mais capitalizadas", disse Alexandre Sinzato, diretor de relações com investidores do ABC Brasil.
As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) - colchão formado para cobrir calotes - do banco, por sua vez caíram 15,9%, para 39,4 milhões.
Segundo Sinzato, as operações que poderiam apresentar atrasos já foram mapeadas - principalmente, aquelas ligadas aos setores de construção civil e óleo e gás - e o provisionamento, em sua maior parte, já foi feito. "As provisões extras devem ficar no patamar entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões", afirmou.
Foco no presente
Já a carteira do Daycoval, que é dividida entre o crédito consignado e o crédito corporativo, principalmente, registrou queda de 0,9% no trimestre e alta de 19,8% no ano.
Se descontadas as compras de direitos creditórios (recebíveis de empresas) e os avais e fianças, a carteira de empresas do banco cresceu 4,3% e a de consignado 2,5%, no trimestre.
"[A queda de direitos creditórios] é consequência natural da economia. As empresas estão vendendo menos e têm menos recebíveis para descontar", afirmou Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores do Dacoval.
As captações do banco, isto é, os recursos que serão usados para os empréstimos, por sua vez, apresentaram crescimento 5,9% no trimestre e 31,6% no ano. "A gente pensa os empréstimos no [tempo] presente e as captações no [tempo] futuro."

Fonte: DCI