Brasil

Renda fixa atrai investidor local e terá mais juro em carteiras de curto prazo

28/07/2015

Estrangeiro corta compras de títulos públicos federais em junho diante do risco de rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil, mas tesourarias de bancos aumentam seus aportes

As aplicações em renda fixa - sobretudo concentradas em títulos públicos - estão atraindo os investidores locais. Em junho último, o mercado absorveu R$ 64 bilhões em papéis do governo, sendo quase R$ 1 bilhão de pessoas físicas via Tesouro Direto.
A expectativa de agentes do mercado é que as aplicações de renda fixa terão maior rentabilidade em juros pós-fixados no horizonte de curto prazo (até 1 ano). Descontada a tributação do imposto de renda (IR) sobre os ganhos, o retorno líquido desse tipo de investimento (mais de 10,7% em 12 meses) já supera a inflação acumulada de 9% no período e a performance da poupança, que rende cerca de 7% ao ano.
"O mercado está inclinado para mais uma alta de 0,5% na Selic [taxa básica de juros] na próxima reunião do Copom [Comitê de Política Monetária], do que para uma elevação de 0,25 pontos [0,25%]. Nossa expectativa é que a Selic encerre o ano de 2015 em 14,5%", aponta o analista da corretora Alpes Wintrade, Filipe Villegas.
De acordo com dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional, no primeiro semestre de 2015, planos de previdência, fundos de investimentos, seguradoras e pessoas físicas aumentaram significativamente seus aportes em títulos públicos.
As tesourarias de instituições financeiras (bancos) aumentaram seu estoque em títulos públicos em R$ 16 bilhões somente em junho, compensando em parte, a parada do fluxo de estrangeiros, que antes, nos cinco primeiros meses do ano haviam liderado a aquisição dos papéis do governo brasileiro.
"Piorou a perspectiva do risco soberano, os estrangeiros estão mais preocupados com um possível rebaixamento [da nota de risco de crédito] do nosso grau de investimento [selo de bom pagador]", explicou o diretor do Easynvest, Amerson Magalhães.
Em números gerais do Tesouro, o estoque detido por planos de previdência subiu R$ 95,91 bilhões no ano até junho, seguido pelos investidores não residentes (estrangeiros) cujo estoque se elevou em R$ 86,5 bilhões nos primeiros cinco meses de 2015.
Os fundos de investimentos aumentaram seu estoque em títulos públicos em R$ 45,06 bilhões no primeiro semestre, enquanto o estoque desses papéis nas seguradoras mostrou expansão de R$ 12,89 bilhões.
No programa de compra e venda de títulos públicos federais pela internet (Tesouro Direto), o estoque detido por pessoas físicas cresceu R$ 3,06 bilhões em seis meses, sendo que no último mês de junho, a emissão líquida (aportes menos resgates) foi de R$ 976,7 milhões, além da entrada de 13,426 mil novos investidores.
"Houve uma saída da poupança e a Bolsa de Valores perde em atratividade com a elevação da Selic. Os juros altos são um fomentador para o Tesouro Direto", diz Magalhães.
O diretor do Easynvest diz o título pós-fixado Tesouro Selic é a aplicação mais segura do mercado no curto prazo. "Para quem aceita um pouco mais risco, o Tesouro Prefixado pode ficar mais interessante, mas depende do perfil de cada investidor", ponderou. .
Villegas, da Wintrade, citou que o título Tesouro Prefixado com vencimento em 2018 prometia ontem juros de 13,41% ao ano. "É uma excelente taxa nominal considerando que a perspectiva de inflação [menor no futuro]", diz o analista.
Ao todo, o mercado de renda fixa atingiu R$ 6,025 trilhões em estoque em junho, sendo R$ 2,583 trilhões em títulos públicos no mercado; R$ 2,534 trilhões em títulos privados e R$ 908 bilhões no overnight.

Fonte: DCI