Brasil

Inflação subiu de forma generalizada nas principais capitais brasileiras

07/07/2015

Até mesmo regiões que, tradicionalmente, registram preços menores estão apresentando IPCA bem acima do teto da meta de 6,5%; elevação foi pressionada pelas tarifas de energia elétrica

O aumento dos preços controlados, especialmente das tarifas de energia, fez com que a inflação subisse de forma generalizada pelas principais capitais do País.
Até mesmo em regiões que, tradicionalmente, registram preços menores já se encontram com inflação bem acima do teto da meta de 6,5%. Na cidade de Belém, por exemplo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrava, em maio de 2014, alta de 5,14%, em 12 meses. No mesmo período deste ano, o indicador já saltou para 8,39%, também no acumulado em 12 meses.
A inflação da cidade de Salvador, por sua vez, apresentou variação positiva de 5,46% em maio do ano passado, ao passo que, no mesmo período de 2015, o IPCA alcançou índice de 7,45%. Na mesma base de comparação, a inflação de Brasília foi de 5,66% para 7,76%.
Em cidades nas quais o IPCA costuma apresentar variações maiores, o indicador segue bastante pressionado. Em maio de 2014, o IPCA do Rio de Janeiro já estava bem acima de 6,5%, registrando variação de 7,61%. No mesmo mês deste ano, o IPCA chegou a ter alta de 9,31% na região. Em São Paulo, o índice de inflação passou de 6,24%, em maio do ano passado, para 8,56%, no mesmo mês de 2015.
Para Gilberto Braga, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) do Rio de Janeiro, a elevação das tarifas de energia foi decisiva para que a alta inflação se espalhasse pelas diversas capitais.
"A inflação regional é fortemente impactada por preços administrados. Toda a alta que ocorreu nas tarifas de energia, por conta das mudanças de bandeira tarifária e de reajustes das concessionárias e distribuidoras, pressionou fortemente a inflação. A energia tem um importante peso no IPCA e, nesse sentido, podemos entender porque o indicador está alto mesmo com o ajuste fiscal", afirma Braga.
Para Alan Ghani, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), o IPCA das principais capitais deve seguir pressionado pela energia até o final deste ano, acima da meta.
Em Belém, as tarifas de energia subiram 43,87% até maio deste ano, em 12 meses, e em Salvador, 34,14%, durante o mesmo período. Em Brasília, a alta foi de 56,94%, e no Rio e em São Paulo, 48,84% e 76,49%, respectivamente.
Câmbio
O professor de economia Silvio Paixão, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuáriais e Financeiras (Fipecafi), acrescenta que o fator câmbio também tem contribuído para elevar a inflação das cidades. "A taxa de câmbio impacta de duas maneiras: nos custos das matérias-primas e nos produtos manufaturados que precisam ser importados", comenta o professor da Fipecafi.
Braga lembra que, apesar da generalização de preços presente neste ano, alguns elementos contribuem para a diferença de inflação dentre as cidades. "Os preços dos aluguéis e da moradia são bem mais caros em cidades como Rio e São Paulo, quando comparados às capitais menores. Além disso, a renda e o salário, nessas regiões, também são maiores. Por isso, costumam apresentar inflação mais elevada", afirma Braga.
São Paulo
Ontem, o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), André Chagas, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), alterou significativamente sua projeção para a inflação deste ano referente à capital paulista.
A estimativa para o IPC fechado de 2015 passou de uma alta de 6,00% para 8,86%.
"Inicialmente, acreditávamos que a alta dos preços administrados ficaria concentrada até maio, mas não é que o estamos vendo", comentou o especialista da Fipe.

Fonte: DCI