Brasil

Pré-pagos começam a usar programa de pontos para atingir novos clientes

18/06/2015

Na Super, que opera esse tipo de produto, o sistema de benefícios é usado para atrair pessoas das classes A e B; nas redes varejistas que têm plástico de marca própria, a estratégia agrega status

Antes atrelados apenas aos cartões crédito de bancos, os programas de recompensas se tornaram uma estratégia de empresas que operam plásticos pré-pagos e de marca própria (private label) para captar clientes não habituais e aumentar o faturamento.
Criada inicialmente para os públicos C e D, a Super, plataforma digital de meios de pagamentos e cartões pré-pagos, definiu a parceria com a Netpoints como uma das estratégias para atrair as classes A e B para a empresa.
"O programa é interessante para essas classes [A e B], que já tem conta corrente. Nos bancos, normalmente os cartões de débito não geram pontos, apenas os de crédito. Com os cartões Super, as pessoas usam e ganham", explicou Luiz Almeida, diretor de marketing da Super.
Com uma mensalidade de R$ 9,90, o cliente da companhia ganha 200 netpoints ao mês e 4 netpoints para cada R$ 10 em compras. Além poder usar os pontos no catálogo on-line do programa e nas empresas parceiras, como Marisa e Casa & Construção, o usuário também pode trocá-los por milhas aéreas.
Na mesma linha as empresas que possuem cartões de marca própria viram nos programas de recompensas uma forma de não só agregar valor aos plásticos, mas também levar os cartões aos clientes menos habituais, ajudando na captação de usuários.
Marcelo Jacinto, diretor da SouMais, empresa que desenvolve programas de recompensas personalizados, afirmou que, embora o objetivo principal dos programas seja fidelizar o consumidor, a maior parte das redes varejistas prefere não restringir uso dos pontos apenas a loja.
"Algumas empresas focam em produtos do próprio estabelecimento, permitindo o uso dos pontos em descontos nas faturas, por exemplo. Mas a maioria deixa aberto, permitindo a troca dos pontos em milhas, entre outros", disse.
Para ele, ao oferecer pontos que podem ser trocados por milhas ou usados em recarga de celular, o lojista dá ao cartão private label o mesmo status de um plástico de banco.
"Apesar de ser mais interessante que o cliente troque os pontos em produtos da própria loja, é importante, do ponto de vista de marketing, gerar oportunidades", observou Jacinto. "Mas, fica a critério do lojista. A gente oferece a plataforma e ele usa como mais o interessar", completou.
Perfis de clientes
Além de poderem ser trocados por milhas aéreas ou produtos, os pontos oferecidos pela Super também podem ser usados em recarga de celular e bilhetagem de transporte público.
De acordo com Almeida, a diversificação tem como objetivo abranger todas as classes sociais. "Enquanto as milhas são mais voltadas para a classe A e B, os créditos no celular e de ônibus são mais para as classes C e D", explicou.
Jacinto, pro sua vez, apontou que, como a SouMais faz parte do Grupo DMCard e que cerca de 95% dos clientes da operadora de cartões são do setor de supermercados, a maior parte dos clientes da empresa também é do nicho.
Segundo o diretor, a estratégia de pontuação das redes varejistas varia dependendo do perfil de clientes. "Algumas lojas oferecem desconto em ingressos de cinema, outras só permitem troca dos pontos no próprio estabelecimento, por exemplo", comentou.
Ele disse, no entanto, que existem basicamente três tipos de consumidores: os que trocam os pontos rapidamente, procurando receber logo o benefício; os pontuadores, que acumulam vários pontos para trocar por benefícios mais caros, como viagens; e os oportunistas, que trocam os pontos ao longo do tempo, de acordo com a necessidade, aproveitando as promoções.
Custos e oportunidades
Jacinto disse que, se mais cerca 50% da base de clientes da loja aderirem ao sistema, o programa de benefícios custa, em média, R$ 0,30 para cada R$ 1 vendidos em pontos.
O diretor disse que o modelo pode ser aplicado tanto em uma grande rede, como em médias e pequenas, até as que possuem duas ou três lojas.
Almeida apontou que por oferecer pontos para compras por débito e compras on-line, o cartão da Super que tem o sistema de pontuação tem tido uma grande demanda.
"Antes, o cliente gastava dinheiro no dia a dia e não ganhava nada por isso. Hoje, ele acumula pontos enquanto está trabalhando para gastar nas férias", observou.

Fonte : DCI