Brasil

Reclamações sobre portabilidade disparam

19/05/2015

Ranking de queixas contra instituições financeiras do Banco Central mostra que problemas com a transferência de crédito consignado entre bancos cresceram 26 vezes até abril, em 12 meses

Após mudanças nas regras da portabilidade de crédito, as reclamações sobre transferências de empréstimos consignados entre bancos aumentaram mais de 26 vezes na comparação anual, e chegaram a 849 queixas em abril, segundo o Banco Central.
O Bradesco foi a instituição que mais anotou reclamações sobre "restrição à realização de portabilidade de operações de crédito consignado por recusa injustificada" no mês passado, com 511 queixas - o banco também ficou na primeira posição das instituições com maior número de reclamações: 899, no total.
Entre as alterações promovidas pela nova regra de portabilidade, em vigor desde maio de 2014, está a determinação do prazo de 5 dias úteis para que o banco original envie as informações de crédito do cliente para a nova instituição ou faça uma contraproposta.
Para Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, como antes da mudança não havia prazo, os bancos não tinham comprometimento de fazer a portabilidade.
"Agora, os bancos preferem recusar [a portabilidade] do que seguir o prazo, até para fazer uma análise de crédito melhor", avaliou.
Segundo o Banco Central, entre os motivos de "recusa injustificada" estão o não fornecimento do saldo devedor ou outras informações para concluir a transferência, não comunicação da desistência (de manter a operação) dentro do prazo e alegação indevida de problemas na TED.
De acordo com Dolce, o aumento das reclamações também está ligada à evolução do crédito consignado em 12 meses e da quantidade de operações de portabilidade.
Dados da autoridade monetária apontam que o saldo do empréstimo com desconto em folha cresceu 12,8% até março, para R$ 259 bilhões. Já a quantidade de transferências (incluindo todas as linhas) aumentou 11,8%, o volume portado cresceu 22% e o tíquete médio 165,2%.
Outro lado
Em nota, o Bradesco afirmou que sua posição no ranking de abril do Banco Central foi "circunstancial, refletindo a inclusão de registros específicos que estão sendo ajustados".

Fonte: DCI