Brasil

Crédito imobiliário dispara no Banco do Brasil, que espera manter o ritmo

15/05/2015

A instituição financeira afirmou haver uma ‘demanda reprimida‘ em sua base de clientes e disse que o fluxo negativo nas cadernetas de poupança é um ‘ponto de atenção, mas não de restrição‘

Observando uma "demanda reprimida" na base de clientes e com captação menos dependente da caderneta de poupança, o Banco do Brasil expandiu em 45,5% sua carteira de crédito imobiliário até março, na variação anual, e projeta manter o ritmo.
No primeiro trimestre deste ano, o saldo de empréstimos imobiliários do banco chegou a R$ 30,3 bilhões, contra R$ 20,8 bilhões anotados no início de 2014. A evolução foi superior a dos principais concorrentes do setor privado: o Bradesco ampliou em 29,3% seu estoque, o Itaú 19,6% e o Santander 36,3%.
O total emprestado pela instituição pública na modalidade também ultrapassou o volume do Bradesco (que encerrou março com saldo de R$ 18,7 bilhões), do Itaú (R$ 30,1 bilhões) e do Santander (R$ 22,7 bilhões).
Segundo Raul Moreira, vice-presidente de negócios de varejo do BB, a princípio a taxa de expansão do financiamento de imóveis no banco deve continuar acima de 40%. "Se a demanda dos nossos clientes for essa [por crédito habitacional], é natural que isso ocorra", afirmou ontem, em coletiva de imprensa. "Até quando essa demanda vai continuar, é difícil prever", completou.
Ele afirmou existir uma demanda reprimida pela linha de crédito na base de clientes do banco. "Nossa base está descobrindo, gradativamente, que a gente opera com crédito imobiliário. Os gerentes de relacionamento estão falando [sobre a linha] para os nossos clientes e isso gera crescimento para o BB", observou o vice-presidente.
Em relação às saídas líquidas recordes registradas, no início deste ano, nas cadernetas de poupança - via de regra, o principal funding (instrumento de captação) do financiamento imobiliário -, Moreira ressaltou que a aplicação financeira é "um ponto de atenção, mas não um ponto de restrição [para o crescimento do crédito imobiliário]".
"Nós temos uma situação diferente do resto do mercado. A poupança do Banco do Brasil é eminentemente agrícola".
"Poupança agrícola"
Dados do balanço divulgado ontem apontam que a instituição financeira tinha saldo de R$ 144 bilhões em depósitos de poupança no primeiro trimestre de 2015 (o que representava 23,4% do total das captações), queda de 3,1% em relação a dezembro e estável na variação de 12 meses.
Segundo informações do próprio banco, 90% desse volume é direcionado ao agronegócio e apenas os 10% serve de funding ao crédito imobiliário.
José Maurício Pereira Coelho, vice-presidente de gestão financeira e relação com investidores do BB, afirmou que o banco possui outras fontes de captação para o financiamento habitacional, sendo que as principais delas são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os recursos do FGTS.
"A gente tem orçamento de fonte [de captação] adequado, do ponto de vista de ‘cliente atendido‘. Para nós, [o funding] está equalizado e tranquilo com relação ao imobiliário", disse Coelho.
O estoque de captações por meio de LCI aumentou 136,4% em 12 meses no Banco do Brasil, para R$ 19,2 bilhões.
Os executivos do banco pontuaram que, apesar das melhorias feitas nas condições do financiamento imobiliário para os clientes - como alongamento dos prazos e flexibilização das taxas para clientes com longo tempo de relacionamento com a instituição -, a estratégia do banco não é ganhar mercado.
"Temos estratégia de atender a demanda e usar o imobiliário como instrumente de fidelização, por ser uma linha de baixo risco e longo prazo", salientou Moreira.
Atualmente, o limite do financiado pelo BB é de 80% do valor do imóvel e a média é de 62% do total.
Alta no lucro
O Banco do Brasil anotou lucro líquido de R$ 5,81 bilhões no primeiro trimestre, alta de 117,3% sobre o mesmo período de 2014. O resultado veio ancorado na joint venture com a Cielo, na área de meios eletrônicos de pagamentos - excluídos os efeitos extraordinários, o lucro foi de R$ 3,02 bilhões, avanço de 24,2% sobre o início de 2014.
A margem financeira bruta (receita com juros) da instituição cresceu 17,6% - 4,6 pontos percentuais acima da meta (guidance) projetada para o ano -, para R$ 11,8 bilhões, apoiado tanto nos ganhos com empréstimo (alta de 46,5%), quanto tesouraria, que avançou 92,5%.
O resultado do crédito, porém, foi prejudicado pelo aumento das despesas com provisões para calotes (PDD), que avançaram 43,3% em 12 meses, para R$ 5,99 bilhões, e puxaram a queda de 4,11% das ações do banco ontem, que fecharam cotadas a R$ 25,88.
"O representativo aumento em provisões e a gradual piora do índice de inadimplência - mesmo que se mantendo em patamar abaixo do sistema financeiro - suscitam atenção", analisou a corretora Concórdia, em relatório.
O banco também apresentou crescimento de 9,9% na renda com tarifas, para R$ 6,3 bilhões, enquanto os calotes foram de 1,97% para 2,05%.

Fonte: DCI