Brasil

Primeiro trimestre mostra tendência de redução na renda média em 2015

08/05/2015

De acordo com especialistas, o aumento do desemprego e o combate à inflação por meio da alta dos juros já começam a impactar negativamente os salários, e cenário deve piorar no curto prazo

O aumento do desemprego e o combate à inflação por meio da alta dos juros já começam a impactar negativamente o rendimento médio real dos brasileiros. A tendência, segundo especialistas, é de que essa renda apresente queda no decorrer deste ano.
Conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio real de todos os trabalhos, habitualmente recebido por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade foi estimado em R$ 1.840 no primeiro trimestre de 2015. Comparado ao mesmo período de 2014 (R$ 1.840) o resultado ficou estável. E com relação ao observado nos três meses anteriores, houve alta de 0,8%.
Se levar em conta que esse rendimento no primeiro trimestre de 2014 ante igual período de 2013 aumentou 3,8%, sendo que, nessa base de comparação, de 2012 para o ano seguinte subiu 2,1%, as expectativas são de uma piora no mercado de trabalho, no geral.
Reginaldo Nogueira, doutor em economia e coordenador do Curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG, explica que a reversão do rendimento médio era algo esperado em vista do aprofundamento da recessão econômica e pelo impacto no consumo do aumento dos juros básicos (Selic).
"As empresas procuram diminuir os custos e isso leva ao aumento do desemprego [demissões] e também diminuiu salários", aponta ele, que espera que esse quadro permaneça por mais dois anos, com a retomada do mercado de trabalho somente em 2017.
"A taxa maior de desemprego e o rendimento em baixa são efeitos colaterais do combate à inflação", resume Pedro Raffy Vartanian, professor de economia do Mackenzie.
Segundo ele, na próxima pesquisa é possível que o rendimento médio siga estável, mas apresente queda no decorrer de 2015. "O primeiro efeito da atual conjuntura é o aumento de desemprego e em seguida vem a redução da renda. Os profissionais devem optar por receber salários menores para continuarem empregados", entende.
No que diz respeito à massa de rendimento médio real de todos os trabalhos, o IBGE informou que foi estimada em R$ 163,8 bilhões no primeiro trimestre, registrando queda de 0,2% em relação aos três meses anteriores, e avanço de 0,9% na comparação anual. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnad Contínua).
Regiões
De acordo com a Pnad Contínua, a taxa de desocupação no primeiro trimestre deste ano foi estimada em 7,9%, o maior patamar desde igual período de 2013. No quarto trimestre de 2014, o resultado foi de 6,5%, e nos primeiros meses daquele ano foi de 7,2%.
No acumulado de janeiro a março de 2015, a maior taxa de desemprego foi verificada na região Nordeste (9,6%), e a menor, no Sul (5,1%). Os especialistas preveem que esse cenário também deve permanecer, pelo menos, até o final do ano.
"Sempre teve diferenças entre as regiões com relação ao desemprego. De modo geral, a taxa deve continuar subindo e a recessão da economia afetará a todos, mas a desocupação continuará a ser maior no Nordeste. Os ajustes fiscais com corte de gastos devem prejudicar mais essa região, isso porque o gasto público é um multiplicador do consumo, que por sua vez é gerador de emprego", justifica Nogueira.
O professor do Mackenzie endossa a opinião do professor do Ibmec e acrescenta que a queda do rendimento pode ser destaque também no Nordeste. "Em economia, é comum verificar que aquele que cresce mais, quando há uma reversão no quadro, também sofre mais", afirma o especialista.

fonte: DCI