Brasil

Investidores adquirem mais de R$ 90 bilhões em títulos públicos em março

28/04/2015

Resgate diário no programa de compra e venda de papéis da dívida federal pela internet, o Tesouro Direto, incentiva procura de pessoas físicas por ativos de curto prazo e juros elevados

Os diferentes tipos de investidores adquiriram no último mês de março mais de R$ 90 bilhões em títulos públicos federais. O aumento da posição líquida no estoque foi liderado por clientes de previdência com R$ 40,57 bilhões, um crescimento de 10,5% em 30 dias.
Na sequência, os estrangeiros aumentaram sua posição líquida em R$ 20,66 bilhões, evolução de 4,6% no mês, mas mantiveram a liderança no primeiro trimestre do ano, com avanço no estoque de R$ 62,65 bilhões, ou crescimento de 15,4% no período para R$ 469,61 bilhões em patrimônio líquido.
As tesourarias de instituições financeiras (bancos) também apresentaram evolução líquida de R$ 20,21 bilhões em março, um aumento de 3,29% em seu estoque que alcançou R$ 634,40 bilhões em patrimônio.
Os fundos de investimento aparecem com um incremento líquido de R$ 7,9 bilhões em seu estoque, um avanço de 1,75% para um patrimônio em gestão de R$ 458,75 bilhões ao final de março.
As seguradoras ainda avançaram em R$ 3,83 bilhões na posição líquida, crescimento de 4,35% em apenas 30 dias para um estoque de R$ 91,90 bilhões.
Na avaliação do analista da área de renda fixa da Um Investimentos, Vitor Rocha, além da segurança e da atual atratividade dos juros altos em títulos públicos, está faltando papéis privados no mercado para compor as carteiras dos grandes investidores. "Houve uma diminuição das LCIs [letras de crédito imobiliário], não por falta de procura, mas por falta de ofertas dos bancos", disse.
Nos últimos 12 meses fechados até março, o estoque de títulos públicos federais no mercado apresentou rentabilidade média de 12,5%. Apenas como exemplo, se considerarmos o estoque de R$ 634,4 bilhões em tesouraria das instituições financeiras, essa rentabilidade representa o pagamento de R$ 79,3 bilhões em juros aos bancos em 1 ano.
"O mercado está aguardando uma alta de 0,5% na taxa básica de juros (Selic), dos atuais 12,75% para 13,25% ao ano", aponta o analista da Wintrade, Filipe Villegas.
Num exercício matemático, se essa nova alta da Selic for confirmada, o estoque total de R$ 2,3 trilhões da dívida pública federal poderá pagar cerca de R$ 300 bilhões em juros anuais ao mercado.
Nesse cenário e considerando que a taxa de juros futuros (DI) aponta para 13,48% no vencimento de janeiro de 2016 e 13,23% para janeiro de 2017, os clientes de previdência aportam recursos em títulos públicos prefixados. "O juro futuro está caindo, mas ainda há muita volatilidade no IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o indicador oficial da inflação]", alerta Rocha.
Na visão de Villegas, todos os papéis públicos do Tesouro estão atrativos, e não há muitas alternativas para compor as carteiras dos grandes investidores com títulos privados e bancários. "Secou a emissão de LCIs e LCAs [letras de crédito do agronegócio], os emissores não querem pagar juros mais altos na captação", disse.
Pessoa Física
Além dos grandes compradores de papéis públicos, as pessoas físicas cadastradas no programa de compra e venda de títulos públicos federais (Tesouro Direto) adquiram o recorde de R$ 1 bilhão em março, com resgates de R$ 457 milhões, o que resulta numa emissão líquida de R$ 544 milhões. Com isso, o patrimônio das 484,275 mil pessoas físicas cadastradas no Tesouro Direto cresceu 4,9% em março para o montante de R$ 16,72 bilhões.
Na avaliação de Vitor Rocha, da Um Investimentos, o segmento de pessoa física também foi impulsionado por mudanças recentes do Tesouro Direto. "Além da mudança nos nomes dos papéis, mais claros ao investidor, a possibilidade de resgate diário [antes, era semanal] e de investir o mínimo de 1% num título [antes, o mínimo era 10%] atraiu a pessoa física para LFTs [Tesouro Selic] no curto prazo", argumentou.

Fonte: DCI