Brasil

Após efeito dos reajustes de energia, inflação deve se manter em 8% no ano

09/04/2015

O indicador oficial deve continuar em patamar elevado ao longo de 2015, afirmam economistas; em contrapartida, serviços devem ficar mais baratos com mercado de trabalho desaquecido

Para especialistas, a inflação oficial do País não deve ceder ao longo de 2015, mesmo após o fim dos reajustes extraordinários de energia elétrica. A tendência é que o índice de preços se mantenha em 8% ao ano, a partir deste mês.
O desaquecimento do mercado de trabalho e a redução do consumo das famílias também deve fazer com que os preços dos serviços recuem e terminem o ano abaixo da média da inflação.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 1,32% em março, percentual acima de fevereiro, quando o indicador variou 1,22%. Este é o maior índice mensal desde fevereiro de 2003, quando atingiu 1,57%, além de ser a taxa mais elevada para os meses de março desde 1995 (1,55%). Com isso, o acumulado no ano de 2015 ficou em 3,83%, a maior taxa para um primeiro trimestre desde 2003, quando a alta foi de 5,13%. Nos últimos 12 meses, o índice foi para 8,13%, o mais elevado desde dezembro de 2003 (9,30%).
Mais da metade do IPCA de março ficou na conta da energia elétrica, que teve um aumento médio de 22,08%, gerando impacto de 0,71 ponto percentual (p.p.), o mais expressivo do mês e que representou 53,79% do IPCA. Com a entrada, a partir do dia 2 de março, da revisão das tarifas aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ocorreram aumentos extras, fora do reajuste anual, para cobrir custos das concessionárias com a compra de energia. Em doze meses, o custo da energia acumula inflação de 60,42%.
Estabilidade
O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, afirma que, passados os reajustes extraordinários, a tendência é que o índice de preços se mantenha em torno de 8%. "A inflação pode ter alguma pressão mensal vinda da energia elétrica. Mas, na base anual, a tendência é que o IPCA se estabilize. Grande parte do aumento das tarifas de energia já ocorreu no primeiro trimestre", diz Rostagno.
"A partir deste mês, esperamos uma estabilização da inflação nesse patamar de 8%, até o final do ano. E, a partir do primeiro trimestre de 2016, o índice deve começar a recuar", acrescenta ele. A projeção do Banco Mizuho é que o IPCA feche o ano em 8,19%, sendo que a expectativa para os preços administrados é de alta de 13% e para os livres de 6,7%.
Para o economista da GO Associados, Alexandre Andrade, o maior impacto da energia sobre a inflação já ocorreu e os demais reajustes não devem "ser tão fortes como os extraordinários". No entanto, ele ressalta que os preços livres ainda podem pressionar o IPCA, devido à recente valorização do dólar frente ao real, e também do repasse dos custos dos produtores e prestadores de serviços aos preços finais.
"Contudo, o repasse de custos será parcialmente compensado pela retração da demanda interna, consequência de uma menor atividade econômica", afirma Andrade. O especialista espera que a inflação termine 2015 no patamar de 8,2%. A alta em preços livres deve ser de 6,5% e em administrados de 14,3%, de acordo com a GO Associados.
O professor do MBA executivo em finanças do Instituto Insper, Otto Nogami, também prevê IPCA acima do teto da meta de 6,5%, no encerramento deste ano. E diz que as empresas devem reduzir a sua margem de lucro em 2015, para poder compensar o repasse de custos para os produtos.
Serviços
Andrade pontua que a inflação de serviços deve continuar em trajetória de queda em 2015, por conta, principalmente, do esfriamento do mercado de trabalho. Segundo o IBGE, o grupo já registra alta abaixo da média da inflação e, em 12 meses, está com variação positiva de 8,02%. Para Rostagno, os serviços devem fechar 2015 com alta de 7,5%.
Para abril, o banco Itaú aponta variação de 0,65% no IPCA, resultado próximo do registrado no mesmo mês do ano passado. "As maiores contribuições de alta virão dos grupos habitação, alimentação e saúde e cuidados pessoais. Grande parte da redução da inflação na passagem de março para abril será explicada pela energia elétrica. Após subir 22,1% em março, prevemos alta de 2,5% em abril, um alívio de 0,6 p.p. na taxa mensal do IPCA", afirma o economista do Itaú, Elson Teles, em relatório.

Fonte: DCI