Brasil

Aportes brasileiros em outros países cresceram nos dois primeiros meses

27/03/2015

Segundo o Banco Central, a participação no capital no exterior avançou 60% no primeiro bimestre, ante igual período de 2014, passando de US$ 4,805 bilhões para US$ 7,782 bilhões

Dados do Banco Central (BC) sinalizam que os empresários brasileiros podem estar mais agressivos no mercado internacional. Segundo especialistas, com a expectativa de baixo crescimento interno, a tendência é de ampliação dos negócios no exterior, em 2015.
O diretor da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, afirma que esse cenário pode ser percebido pela mudança no perfil de aportes brasileiros no início deste ano. De acordos com o BC, os recursos destinados à participação no capital em outros países cresceram cerca de 60% no primeiro bimestre de 2015, ante o mesmo período de 2014, indo de US$ 4,805 bilhões para US$ 7,782 bilhões.
Já os empréstimos entre companhias reduziram 57%. Enquanto somaram US$ 5,252 bilhões nos dois primeiros meses de 2014, alcançaram US$ 2,210 bilhões no mesmo período em 2015.
"A participação no capital são investimentos que as companhias fazem no exterior para comprar ou aumentar a sua fatia de participação em uma empresa local. Podem se tratar de aquisições ou também de abertura de novos negócios", explica Lima. "Esse aumento que ocorreu em participação no capital significa que as empresas brasileiras estão investindo mais lá fora. Os empresários estão prestando mais atenção nas oportunidades de negócios no exterior", destaca.
Para o diretor da Sobeet, a tendência é que esse cenário se intensifique, tendo em vista o baixo crescimento econômico do Brasil. "A economia brasileira está passando por um momento de transição. O motor de crescimento dos últimos anos foi o consumo e, tanto as empresas nacionais como as estrangeiras se aproveitaram disso. No entanto, esse cenário mudou, o câmbio está se depreciando, a renda da população está menor. Isso faz com que, não somente as empresas brasileiras passem a se voltar ao mercado internacional, como também com que o aporte externo no Brasil se reduza", afirma Lima, acrescentando que, no início deste ano, os aportes estrangeiros no Brasil foram menores do que os investimentos nacionais no exterior, diferentemente do que ocorreu no ano passado.
A entrada de recursos em participação no capital no País foi de US$ 3,689 bilhões, no primeiro bimestre de 2015, enquanto no mesmo período de 2014 foi de US$ 6,796 bilhões.
Sobre a redução dos empréstimos entre companhias, o professor do Instituto Insper, Michael Viriato, diz que os juros altos, bem como a desvalorização do real frente ao dólar tornam essas operações mais custosas neste momento.
Paraíso fiscal
Dados por região mostram que grande parte dos aportes brasileiros é destinada a paraísos fiscais. Nos dois primeiros meses deste ano, por exemplo, 79% dos investimentos de empresas nacionais tiveram como destino as Ilhas Cayman. Lima diz que esses recursos, no entanto, nem sempre se tratam de aportes financeiros.
"Muitas vezes, os investimentos passam por um paraíso fiscal para, de lá, se deslocarem a outros países e, nesse caso, pode sim se tratar sim de recursos destinados ao setor produtivo", afirma Lima.
Ele destaca o crescimento de aportes brasileiros para alguns países da América Latina, como o Peru e o Chile. Ao primeiro, o Brasil aumentou os seus investimentos de US$ 8 milhões, no primeiro bimestre de 2014, para US$ 18 milhões, no mesmo período de 2015. Já para o Chile, foram de US$ 3 milhões para US$ 5 milhões. "É natural que, ao se internacionalizarem, as empresas procurem regiões mais próximas".

Fonte: DCI