Brasil

Mercado está protegido para o fim do programa de swaps do Banco Central

24/03/2015

O presidente da autoridade monetária Alexandre Tombini irá nessa terça-feira à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e poderá anunciar as mudanças na política cambial do governo

Os bancos e grandes empresas brasileiras com endividamento em dólar já estão protegidos (hedgiados) no mercado de swaps (trocas) cambiais. Essas instituições tomaram ao custo de taxa do mercado (DI) até a semana passada mais de US$ 114 bilhões em contratos contra o Banco Central (BC).
No ano até a última sexta-feira, a cotação do dólar avançou 21,8% para R$ 3,237 ante R$ 2,656 no final de 2014. Nesse sistema de troca de indexadores (swaps), o BC recebe juros DI, atualmente em 12,6% ao ano, e paga ao tomador do contrato a valorização da moeda americana.
Desde que o programa foi lançado em julho de 2013 e até janeiro de 2015, a diferença entre os juros recebidos e a variação do dólar custou o montante de R$ 7,5 bilhões ao Banco Central. No atual patamar do dólar, essa diferença poderá representar um custo anual de R$ 34 bilhões aos cofres da autoridade.
"O [presidente do BC] Alexandre Tombini não vê mais uma demanda expressiva por proteção cambial. As empresas e os bancos já tomaram hedge, e essa demanda foi bastante atendida", diz o economista da Guide Investimentos, Ignácio Rey.
A expectativa do mercado é que o presidente do BC, Alexandre Tombini, se manifeste sobre essa questão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, amanhã, dia 24 de março.
Na avaliação do gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o mercado está entre 80% e 90% protegido para este ano. "O pessoal precifica o fim do programa de swaps pelo Banco Central, sem novos contratos e apenas a manutenção da rolagem dos contratos atuais a partir do próximo dia 31 de março", aponta.
De fato, dados do Banco Central mostram que o volume de proteção cambial (US$ 114 bilhões) está próximo do total de compromissos (pagamentos) previstos de US$ 131,67 bilhões no exercício de 2015.
O setor privado tem compromissos (pagamentos) de US$ 89,7 bilhões que vencem em 2015, sendo US$ 65,434 bilhões de bancos privados, enquanto as empresas privadas têm US$ 24,3 bilhões em compromissos previstos. Já os empréstimos intercompanhias (exemplo, de subsidiárias brasileiras para suas matrizes no exterior) somam US$ 29,1 bilhões em compromissos.
No setor público, com exceção do caso complexo da Petrobras envolvendo a ausência do balanço por causa do escândalo de corrupção que está sendo investigado pela Operação Lava Jato, a situação está administrada. O Tesouro possui compromissos previstos de US$ 2,23 bilhões e os bancos públicos possuem vencimentos de US$ 6,8 bilhões no ano.
Em seu relatório na última sexta-feira, o economista e diretor da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Moura Nehme, alertou que silêncio do BC e a indefinição sobre a continuidade ou não do programa incentivam a especulação.
"O BC mantém silêncio e todos demais porta-vozes não demonstram preocupação, mas sim enaltecem os benefícios do dólar com preço elevado", relata o economista.
Ele relacionou a menor demanda por proteção com o fato do BC ter rolado em março menos de 50% da posição "vincenda" dos contratos dos instrumentos financeiros denominados swaps cambiais.
"O BC mantém o silêncio a respeito da continuidade ou não do programa de oferta dos instrumentos financeiros denominados swaps cambiais após o 1º trimestre. Estes são posicionamentos claramente indutores à valorização da moeda americana no nosso mercado", argumenta Nehme.
Ignácio Rey, da Guide Investimentos, acredita que a cotação do dólar está próxima de seu limite. "Não tem espaço para uma alta mais expressiva. Se houver uma renovação parcial do programa do BC, o dólar pode até ter uma correção pontual para baixo", disse.
Tendência de alta e riscos
Para os agentes do mercado, mesmo com correções pontuais, a tendência ainda é de alta para a moeda americana. Em 2016, há compromissos de US$ 49,817 bilhões com o exterior, seguidos por US$ 48,7 bilhões em 2017 e US$ 68,3 bilhões contratados para 2018. "A proteção atual está em um terço das reservas", lembrou Ignácio Rey, da Guide.
Já Reginaldo Galhardo, da Treviso alerta para o risco do rebaixamento da nota de crédito do Brasil. "A Moody‘s colocou o rating do Brasil em expectativa negativa. Se perdermos o grau de investimento, os fundos internacionais vão sair do País", avisou.

Fonte: DCI