Brasil

Pequenas empresas se voltam à exportação com dólar em alta

09/01/2014

Segmento impulsionou a alta no número de empresas exportadoras brasileiras entre os anos de 2013 e 2014, que passou de 18.309 para 19.250 companhias

A valorização do dólar frente ao real tem incentivado as pequenas empresas brasileiras a exportar. Com isso, o número de companhias voltadas ao mercado externo aumentou no País entre 2013 e 2014.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 2014 foi o segundo ano consecutivo em que houve incremento na quantidade de empresas que realizaram exportações.
De janeiro a dezembro do ano passado, 19.250 companhias brasileiras venderam os seus produtos no mercado externo, 441 a mais do que em 2013 (18.809), representando, portanto, um aumento de 2,3%. Apesar disso, a receita exportada pelo Brasil teve queda de 7% entre os anos de 2013 e 2014.
O consultor da GO Associados, o embaixador Regis Arslanian, relaciona o crescimento de exportadores a uma maior participação da pequena e média empresa nas vendas externas do País, principalmente das fabricantes de manufaturados com pouco valor agregado.
"Há uma parcela das nossas exportações compostas por produtos processados e industrializados que possuem baixa tecnologia e que são comercializados por pequenas e médias empresas. Esse segmento tem se beneficiado com a valorização do dólar", afirma Arslanian.
"O câmbio tem tornado o preço dessas mercadorias mais barato e, portanto, mais competitivo no mercado internacional", complementa ele.
Se o dólar continuar em movimento de alta frente ao real, a expectativa é que as pequenas fabricantes de manufaturados menos sofisticados continuem exportando cada vez mais. "O número de exportadores pode aumentar ao longo de 2015, principalmente por parte das empresas que vendem produtos de baixo valor agregado e em pouco volume", finaliza.
Para o embaixador, esse segmento empresarial deve aproveitar o crescimento da economia dos Estados Unidos para expandir mercado. "A presidente Dilma [Rousseff] marcou uma visita de estado aos EUA, que deve ser realizada até setembro deste ano. Esses eventos abrem espaço para que ocorram mais encontros entre empresários dos dois países", afirma Arslanian.
Já as grandes empresas exportadoras, tanto de commodities agrícolas e minerais, como de industrializados mais sofisticados, não serão beneficiadas neste ano. "As exportações de commodities dependem das bolsas internacionais, onde os preços estão em queda", lembra. "Já aos nossos produtos manufaturados mais sofisticados falta competitividade. Além disso, grande parte das nossas exportações é para países vizinhos, como a Argentina, que passa por uma crise", pontua o embaixador.
Receita
Apesar de ter aumentado a sua participação nas exportações, o impacto das pequenas e médias na receita das vendas externas do País ainda é irrelevante, tanto pela composição da pauta exportadora brasileira, como pelo pouco incentivo ao segmento.
A especialista em comércio exterior do Centro Internacional de Negócios do Sistema Firjan, Claudia Teixeira Santos, informa que 50% do valor exportado pelo País ainda se concentra nas 40 maiores empresas brasileiras.
De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as pequenas representam 62% do total de empresas exportadoras no Brasil. No entanto, representa apenas 1% do volume exportado. Juntas, as pequenas vendem ao exterior cerca de US$ 2,2 bilhões.
"Crescer em 2,3% o número de empresas exportadoras no Brasil é positivo, mas ainda é pouco. É preciso de mais incentivo ao segmento", diz Santos.
A especialista em comércio internacional do escritório L.O. Baptista-SVMFA, Cynthia Kramer, lembra que os bancos privados e de fomento precisam facilitar o acesso das pequenas às linhas de crédito para que essas possam participar mais do comércio exterior. "Muitos deles [bancos] exigem garantias que as pequenas não podem oferecer e isso acaba dificultando o andamento dessas empresas", afirma Kramer.
Dados regionais
A especialista da Firjan afirma que, no Rio, o número de empresas exportadoras cresceu mais do que a média nacional, em 4,2%, passando de 1046 companhias, em 2013, para 1090, no ano passado, em todo o estado. A receita exportada também teve alta, crescendo em 6% entre 2013 e 2014, de US$ 21,3 bilhões a US$ 22,6 bilhões.
Para Arslanian, a balança comercial deve se reequilibrar novamente em 2015, impulsionada, principalmente, pela valorização do dólar.

Fonte: DCI