Brasil

Com taxa maior, ‘facilitadoras‘ podem garantir acesso de pequenas a cartão

09/12/2014

As ‘subcredenciadoras‘ trabalham com taxas de desconto mais altas que as das adquirentes, mas também oferecem taxas mais acessíveis que as dos bancos na antecipação de seus recebíveis

Os custos das operações com cartões, como alugel de máquinas e taxas, deixam o pequeno empresário em uma encruzilhada: eles precisam oferecer opção de pagamento no cartão, porém os custos do serviço prejudicam as contas.
Os juros cobrados para antecipação de recebíveis, e os descontos cobrados por operação também afastam o pequeno empresário. Diante desse cenário, surgiu no mercado um novo segmento de empresas - inicialmente na informalidade e atualmente regulado pelo Banco Central -, as chamadas subcredenciadoras ou facilitadoras.
Essas empresas atuam na captação de e credenciamento de pequenos lojistas e profissionais liberais, como dentistas e médicos, e fazem a ponte entre o empresário e setor de adquirência - em que atuam a Cielo, a Rede e a GetNet, entre outros.
As empresas de adquirência, por sua vez, completam o ciclo, fazendo com que a transação passe pelas bandeiras (Visa e Mastercard, por exemplo) e chegue aos emissores (em sua maioria os grandes bancos), para aprovação da compra.
"As subcredenciadoras estão em locais e mercados que as credenciadoras (adquirentes) não chegam, como o micro empresário e a pequena empresa. Estão em nichos de mercado", explicou o advogado Giancarllo Melito, da Barcellos Tucunduva Advogados.
As facilitadoras não tem uma padronização e cada uma oferece um diferencial para atrair os clientes. Uma constante entre as três subadquirentes ouvidas pelo DCI, entretanto, foi que, além de oferecer o serviço de credenciamento, elas também antecipam as faturas de uma compra parcelada aos lojistas, com taxas e prazos mais atrativos do que os oferecidos pelos grandes bancos varejistas.
Taxas cobradas
A Pagpop, por exemplo, que tem mais de 35 mil clientes ativos, trabalha com um taxa de desconto média - valor cobrado do lojista na transação com cartão - de 3,98% e oferece uma taxa de antecipação de recebíveis opcional de 1,98%.
Dados do Banco Central apontam que a taxa cobrada pelas instituições financeiras para antecipar faturas de cartão varia de 2,32% a 3,72% nos quatro maiores bancos brasileiros. "Nós antecipamos compras parceladas em até 12 vezes", afirmou o diretor-executivo da Pagpop, Márcio Campos.
O maior peso no bolso do pequeno ao contratar uma facilitadora, contudo, fica com as taxas de desconto. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a taxa média de desconto das credenciadoras, no primeiro semestre de 2014, ficou em 2,72% para vendas no crédito e 1,53% para vendas no débito.
Na Pagseguro, que possui 25 milhões de clientes compradores e 300 mil estabelecimentos cadastrados, a taxa, que já inclui a antecipação de fatura, varia entre 4,99% (para antecipações de recebíveis em até 14 dias) e 3,99% (para antecipações em até 30 dias). Na Paypal, que atua no e-commerce, com 3 milhões de contas ativas e 90 mil sites usuários, a taxa (que inclui a antecipação) fica entre 5,4% e 6,4%.
"A gente repassa o recebível em até 24 horas para o cliente, mesmo se a compra for parcelada em 12 vezes", afirmou a diretora de vendas e desenvolvimento de negócios do Paypal, Paula Paschoal.
Outros diferenciais
Outro diferencial oferecido pela maioria das subadquirentes é a opção de compra do POS, que evita que os empresários paguem o aluguel dos terminais, que costuma ficar na casa dos R$ 120 mensais.
A Pagseguro oferece três opções de terminais, cujos preços variam de 12 parcelas mensais de R$ 9,90 (R$ 118,80) para 12 parcelas mensais de R$ 35 (R$ 420), para os POS que aceitam débito. Já a Pagpop oferece o aparelho por R$ 300, que podem ser parcelados em 12 vezes, custando R$ 25 mensais.
"A diferença é que, ao final das parcelas, que são menores que o aluguel do POS nas credenciadoras, o cliente fica com o aparelho", observou o diretor da Pagseguro, Ricardo Dortas.
As facilitadoras também costumam oferecer conciliações - espécie de relatório com as transações feitas com cartão - mais simplificadas, que permitem aos lojistas tenham um controle de caixa mais preciso.
As subcredenciadoras, normalmente, trabalham com todas as grandes adquirentes, repassando suas captações (em vez de cobrar as taxas de desconto diretamente dos lojistas, a credenciadoras as cobram das facilitadoras). A regra é: quando maior o número de clientes oferecido pela facilitadora, menor a taxa cobrada pela adquirente e, consequentemente, maior a margem da subadquirente.

Fonte: DCI