Brasil

Mercado tem reação positiva a nomes cotados para ministérios estratégicos

24/11/2014

Economistas avaliam que nomes deverão trazer mais ortodoxia à política econômica e ajudar na retomada da confiança; rumos do País, porém, dependerão do grau de autonomia que eles terão

O mercado reagiu positivamente aos nomes cotados para assumir os ministérios chaves na gestão da política econômica brasileira. Para economistas, os candidatos à Fazenda e Planejamento são técnicos e deverão ter autonomia na condução das pastas.
O ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor superintendente do Bradesco Asset Management, Joaquim Levy, é dado como certo para assumir o Ministério da Fazenda, enquanto o ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, é fortemente cotado para assumir o Ministério do Planejamento.
O anúncio oficial dos nomes era esperado para a sexta-feira, após o fechamento da BM&FBovespa, porém no final da tarde a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que a divulgação não seria feita.
Diante das especulações dos novos titulares das pastas, a bolsa fechou, na sexta, com alta de 5,02% - a maior em três anos -, a 56.084 pontos, e o dólar registrou queda 2,16%, cotado a R$ 2,514.
Além dos nomes esperados para Fazenda e Planejamento, o senador pelo PTB e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro, é cotado para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e a senadora Kátia Abreu, do PMDB de Tocantins, é o nome esperado para o Ministério da Agricultura.
‘Belíssimo nome‘
O professor Celso Grisi, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), afirmou que as possíveis escolhas da presidente Dilma Rousseff foram positivas, "sobretudo se ela souber dar espaço para a decisão técnica e subtraí-la da ingerência política".
Para o economista, embora Levy não tenha tanto prestígio no cenário internacional como os nomes cotados anteriormente - como o ex-presidente do Banco Central Henrique Meireles e o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco -, "é um belíssimo nome, pois se trata de um técnico, com experiência na área privada e no setor público".
"É um homem com grandes experiências, cujas ideias e orientações são muito conhecidos pelos artigos que ele tem na mídia", observou o especialista. "Tem um perfil discreto o suficiente para ministro da Fazenda e é também suficientemente competente para tirar o Brasil desse marasmo".
Para Samy Dana, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), por sua vez, por já terem composto a equipe do governo federal no passado, Levy e Barbosa terão que provar que vão tomar as medidas necessárias na economia "do ponto de vista do empresário e não seguindo a presidente".
"Como já foram nomes do governo, as pessoas já entram com um pé atrás. Eles vão ter que mostrar que têm vontade própria e não serão um fantoche da Dilma", afirmou.
Intervencionismo
Para os economistas, os candidatos à Fazenda e Planejamento têm perfil técnico e prestígio no mercado, e podem fazer uma boa "dobradinha" nas duas pastas estratégicas. Os especialistas ressaltaram, entretanto, que, embora sejam bons nomes, a retomada de confiança do mercado dependerá muito da política econômica adotada por eles - o que está sujeito, por sua vez, ao nível de intervencionismo do Palácio do Planalto.
Na avaliação do Luiz Roberto Troster, ex-presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), além de serem bons nomes, os candidatos aos ministérios deverão ter autonomia na gerência das pastas.
"Ao que tudo indica, nomes como Joaquim Levy e Nelson Barbosa não parecem aceitar cargos sem garantia de autonomia. Nesse sentido, pode-se dizer, as perspectivas são boas", afirmou o professor.
Agricultura e Indústria
Os nomes cotados para Agricultura e Desenvolvimento também foram vistos com bons olhos pelos economistas. Para Grisi, o nome de Abreu é um nome "à direita" do Ministério da Agricultura.
"É uma ruralista maquiada como ‘centro‘, mas que visivelmente defende o direito à propriedade. Tem sérias restrições à reforma agrária tal como está sendo feita e acha que empresa agrícola traz eficiência", avaliou. "Acho um bom nome, mas não sei quanto tempo dura", acrescentou.
De acordo com Troster, tanto Abreu quanto Monteiro têm conhecimento do setor em que irão atuar, pois enquanto a primeira é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o segundo já esteve à frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"A escolha dos nomes está mostrando certa sensibilidade. A indústria está muito sofrida. Parte dela foi completamente sucateada, com câmbio, juros e impostos", finalizou Grisi.

Fonte: DCI