Brasil

Política de redução de riscos provoca menos crédito para pequenas no Itaú

05/11/2014

Banco focou em linhas com menor risco, como empréstimos consignados, que registrou alta de 77,1% no trimestre, e crédito para grandes empresas (alta de 13,9%), além de ganhos com serviços

A "faxina" feita pelo Itaú Unibanco em sua carteira de crédito, focando em linhas de menor risco, continua gerando reflexos nos empréstimos feitos a micro, pequenas e médias empresas. Balanço dos resultados do terceiro trimestre do banco mostra que a participação desse segmento no estoque de crédito da instituição caiu 29,4% desde 2011.
Segundo os dados divulgados ontem pelo Itaú, enquanto em setembro de 2011 as PMEs tinham participação de 25,1% no salto total de crédito do banco, em setembro de 2014 o share caiu para 17,7%.
Do terceiro trimestre do ano passado para o mesmo período deste ano, o volume de empréstimos feitos pelo banco às empresas de menor porte registrou queda 3,5%, passando de R$ 85,7 bilhões para R$ 82,7 bilhões.
Segundo Marcelo Kopel, diretor corporativo de Controladoria e Relações com Investidores do Itaú, a carteira de crédito de PME deve continuar sofrendo no quarto trimestre deste ano e recuperar o fôlego somente em 2015.
"Esse é um setor que deve voltar a crescer mais timidamente, abaixo da média das nossas carteiras", estimou. "Mas a gente vê sinal de retomada", completou.
O diretor avaliou que o crescimento das firmas de menor porte deve vir tanto dos recebíveis negociados diretamente com o banco, quando das antecipações de faturas de cartão (principalmente, no varejo), em negócios feitos por meio da credenciadora Rede, que pertence ao Itaú.
Apesar de prejudicar as pequenas empresas, a estratégia adotada pelo banco surtiu efeito nos resultados. O lucro líquido da instituição no trimestre foi de R$ 5,4 bilhões, alta de 35,3% em relação ao mesmo período de 2013, quando registrou R$ 3,9 bilhões.
O resultado foi alavancado, principalmente, pelos empréstimos consignados e as tarifas de serviço, e refletiu os bons números de tesouraria, que geraram uma alta de 218,6% na margem financeira com o mercado - salto de R$ 340 milhões para R$ 1,08 bilhão.
Os calotes, por sua vez, registraram a nona queda consecutiva e a menor taxa desde a fusão entre Itaú e Unibanco, fechando setembro deste ano em 3,2% do saldo de crédito da instituição financeira.
Para Marta Pelucio, professora da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financerias (Fipecafi) e sócia da Praesum Contabilidade Internacional, com o cenário macroeconômico desfavorável, as PMEs são as primeiras afetadas. "Pequenas e médias empresas sempre têm uma estrutura que oferece maior risco", observou.

Fonte: DCI