Brasil

Governo deve cortar gastos para reduzir dívida e elevar investimento

28/10/2014

Análise é feita com base em relatório do Tesouro Nacional, divulgado ontem, que mostrou expansão da dívida pública de R$ 2,169 trilhões, em agosto, para R$ 2,183 trilhões em setembro

Especialistas entrevistados pelo DCI afirmam que para reduzir a dívida pública, o novo governo vai precisar implementar uma política de redução dos gastos públicos em 2015, para não rebaixar o grau de investimento do País.
Essa análise é feita com base no Relatório Mensal da Dívida de setembro, divulgado ontem pelo Tesouro Nacional. De acordo com a instituição, a Dívida Pública Federal (DPF) teve expansão de 0,65% no mês, passando de R$ 2,169 trilhões, em agosto, para R$ 2,183 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) teve seu estoque ampliado em 0,19%, ao passar de R$ 2,075 trilhões para R$ 2,079 bilhões, devido, principalmente, à apropriação positiva de juros no valor de R$ 18,90 bilhões, descontado pelo resgate líquido de R$ 15 bilhões.
Já no estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe), houve aumento de 10,76% sobre o apurado no mês de agosto, encerrando setembro em R$ 104,58 bilhões, sendo R$ 94,91 bilhões referentes à dívida mobiliária e R$ 9,68 bilhões à dívida contratual.
Essa variação ocorreu por conta da valorização do dólar frente ao real, de 9,44%.

Composição

Na composição da dívida, a parcela dos títulos com remuneração prefixada passou de 40,74%, em agosto para 41,84% em setembro. A participação dos títulos indexados a índice de preços aumentou, passando de 34,81% para 35,07%.
Já os títulos remunerados por taxa flutuante foram reduzidos de 20,21% para 18,36%.
O mês de setembro também registrou um elevado volume de vencimento de títulos. Cerca de R$ 57,659 bilhões em papéis do governo venceram ou foram trocados. A maior parte desse valor, R$ 54,503 bilhões, correspondeu a títulos vinculados à taxa básica de juros.
O sócio da Interacta Participações, Andrew Frank Storfer, diz que reduzir o montante da dívida vai exigir do governo em 2015 um ajuste nas contas públicas, com redução das despesas de custeio da máquina pública e cargos comissionados.
"O governo federal vai ter que resgatar confiança do empresariado. [...] Para atrair investimento estrangeiro, vai precisar mostrar, na prática, que respeita o capital privado, tendo estabilidade de regra em seus contratos e oferecendo autonomia às reguladoras", diz Storfer, que defende mais parcerias público-privada (PPPs).
O professor da Universidade Anhembi Morumbi, Marcello Gonella concorda com essa análise e afirma que a presidente Dilma Roussef deve realizar ajustes fiscais e mudanças em sua equipe político-econômica para melhorar a expectativa do mercado financeiro e atrair investimentos.
Gonella defende essas mudanças como forma de evitar o rebaixamento da nota brasileira nas agências de rating. "Quando um País passa de um ‘grau de investimento‘ para ‘grau especulativo‘, o custo dos empréstimos captados pelas as empresa fica mais alto, tanto dentro como fora do País".
Já o mestre em finanças públicas Amir Khair defende uma redução da taxa de juros. "O que está elevando a dívida é, fundamentalmente, os juros. Esses são largamente maiores que o superávit do País. É preciso reduzi-lo para colocar a economia de volta no lugar".

Autor: Paula Salati
Fonte: DCI