Brasil

Ganhos com juros devem melhorar balanços

28/10/2014

Os ganhos das instituições financeiras no terceiro trimestre de 2014 devem apresentar aumento maior nas tarifas de serviços e retornos de investimentos feitos pelas tesourarias, dizem analistas

O crescimento da receita dos bancos com serviços e tesouraria - resultante de retornos sobre os investimentos feitos com capital próprio - deve ser maior que a evolução dos ganhos nas carteiras de crédito no terceiro trimestre de 2014.
A avaliação é de especialistas ouvidos pelo DCI, em uma previsão sobre os balanços das instituições financeiras, que começam a ser divulgados nessa semana - o Bradesco publica os resultados já na quinta-feira.
Com a desaceleração econômica, os bancos ficaram mais restritivos na concessão de empréstimos e financiamentos, com o objetivo de fazer uma faxina nas carteiras e reduzir os riscos, o que freou a atividade de crédito.
A estratégia abriu espaço para que a receitas com tarifas cobradas por serviços bancários, como manutenção do cartão de crédito e administração de fundos de previdência privada, passassem a ser mais exploradas pelas instituições financeiras.
Os ganhos com tesouraria, impulsionados principalmente pelas aplicações em títulos de renda fixa, alavancados pelas constantes altas na taxa básica de juros (Selic), também aumentaram sua participação no lucro dos agentes financeiros.

Monitoramento

De acordo com os especialistas, os resultados dos bancos no terceiro trimestre devem se manter alinhados ao dos outros trimestres deste ano.
"Os bancos tem um colchão de estabilidade. Com a inadimplência sob controle, o alto rendimento com tesouraria e diversificação de receita (serviços), os bancos não devem reduzir seus lucros", avaliou o analista da Austin Ratings Luiz Miguel Santacreu.
Para o especialista, apesar da diminuição da oferta e demanda por crédito, os bancos estão monitorando os spreads (diferença entre os juros pagos e os cobrados pelas instituições) e controlando as despesas, o que também deve contribuir para um bom resultado.
"A seletividade de crédito faz com que o mercado mantenha mais ou menos o mesmo nível de spread", observou o professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Silvio Paixão
Segundo o economista, a volatilidade do mercado é outro fator que deve influenciar positivamente os ganhos com tesouraria no trimestre.

Conjuntura macroecnômica

Na avaliação dos especialistas, os próximos passos dos bancos dependerão da definição das políticas macroeconômicas pelo governo.
Para Santacreu, a opção pela retomada do crescimento, em uma política expansionista, deve levar a um aumento das concessões, ao passo que a priorização pelo controle da inflação e a redução dos gastos públicos, com a opção pelo contracionismo, deve frear ainda mais os empréstimos.

Autor: Pedro Garcia
Fonte: DCI