Brasil

Pequeno e médio provedor sustenta demanda por fibra ótica neste ano

15/10/2014

Segundo os fabricantes habilitados a produzir o insumo no País, as grandes operadoras de telecomunicações seguraram os investimentos e só devem aumentar as compras em 2015

Os pequenos e médios provedores de internet serão responsáveis por sustentar o crescimento da demanda por fibra ótica em 2014. Segundo fabricantes, as grandes operadoras de telecomunicações só devem aumentar as compras no ano que vem.
A expectativa do mercado era de que, neste ano, o negócio de fibra ótica fosse sustentado por gigantes como a Vivo e a NET, por exemplo. No entanto, a demanda não veio conforme o esperado.
"As grandes operadoras botaram o pé no freio. Por outro lado, os pequenos provedores têm registrado um crescimento maior e devem sustentar a demanda em 2014", afirma o diretor comercial da Prysmian Telecom para a América do Sul, Reinaldo Jeronymo.
A companhia italiana é uma das duas únicas fabricantes habilitadas a produzir fibra ótica no País com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 15% para 3% e alíquota fixa de 7% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em qualquer estado. Sem estes incentivos, o preço da fibra perde a competitividade.
Neste ano, a estimativa do mercado é de que a produção de fibra ótica alcance 4,4 milhões de quilômetros, aumento de 10% em relação a 2013. "O ano passado foi bastante complicado. As grandes operadoras seguraram os investimentos", diz Jeronymo.
Em 2014, o governo aprovou a liberação do financiamento do BNDES (Finame) para a compra de fibra ótica. "A maioria dos provedores de Internet usava rádio e agora o governo está incentivando a substituição por fibra", destaca.
Com isso, os provedores de Internet de pequeno e médio porte já representam cerca de um quarto da demanda por fibra ótica, no País. Três anos atrás, essa fatia era quase nula, segundo os fabricantes.
"As compras por parte destas empresas tiveram um aumento significativo em 2014", afirma o gerente comercial de sistemas Broadband da Furukawa no País, Celso Motizuqui.
A multinacional japonesa é a outra fabricante habilitada a produzir fibra ótica, no Brasil, e também confirma a desaceleração dos investimentos das operadoras neste ano.
"Tínhamos a expectativa de que 2014 fosse melhor, mas isso não aconteceu. Boa parte da demanda foi sustentada mesmo por provedores menores", pondera Motizuqui. Segundo o executivo, a Furukawa deve fechar o ano com um crescimento de cerca de 7%.
A Prysmian comemora o resultado deste ano. "O mercado melhorou em 2014 e devemos fechar o ano com crescimento de 20% em relação ao ano passado", destaca Jeronymo.
O executivo acrescenta que a utilização da capacidade instalada cresceu, neste ano, para cerca de 90%. No ano passado, a empresa se viu obrigada inclusive a demitir alguns funcionários. "Agora estamos estáveis", garante.

Perspectivas

Os fabricantes de cabos óticos afirmam que as operadoras voltaram a comprar em 2014, porém, não corresponderam ao patamar esperado. "Estas empresas só apagaram incêndios, como a Copa, por exemplo", diz o diretor da Prysmian.
Para o ano que vem, no entanto, a expectativa é de que as compras voltem a crescer de maneira significativa principalmente devido ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que visa aumentar a oferta deste serviço no País.
Segundo Jeronymo, operadoras como a Vivo e a NET já tiveram seus planos aprovados pelo governo e a data limite para implantação é 2016.
"Estas empresas terão que investir no ano que vem para cumprir as metas", destaca.
Para o gerente da Furukawa, o desembolso por parte das operadoras em 2015 é inevitável. "Acreditamos que haverá um aumento significativo dos aportes em fibra ótica", pondera Motizuqui.

Déficit

O diretor da Prysmian explica que, no Brasil, existe ainda um enorme déficit de banda larga que precisa ser suprido. "A massificação da fibra ótica é o caminho para resolver este problema", comenta Jeronymo.
O gerente da Furukawa concorda. "A demanda por banda larga vai aumentar cada vez mais", pontua Motizuqui.
Os executivos afirmam ainda que, após o leilão 4G (no início do mês), aumentou a necessidade de fibra ótica, no Brasil. "Agora, as operadoras terão que investir", acrescenta Jeronymo.
A expectativa da Prysmian é de que o mercado demande cerca de 5 milhões de quilômetros de cabos óticos em 2015. "As operadoras seguraram os aportes o máximo que podiam. Agora terão que investir, até mesmo para poder viabilizar a oferta de Internet 3G e 4G", afirma Jeronymo.

Autor: Juliana Estigarríbia
Fonte: DCI