Brasil

Informalidade ajuda saída ilícita de capital

09/09/2014

De acordo com organização, entre os anos de 1960 e 2012, US$ 401,6 bilhões foram retirados ilegalmente do País

Um estudo da Global Financial Integrity (GFI) verificou que os fluxos financeiros ilegais tanto impulsionam como são impulsionados pela economia informal do Brasil. Esta corresponde a 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

A pesquisa da organização norte-americana, "Brasil: Fuga de Capitais, os Fluxos Ilícitos, e as Crises Macroeconômicas, 1960-2012", revelou que a economia subterrânea teve um grande impacto sobre os investimentos brasileiros. "À medida que essa economia foi crescendo, ela teve a tendência de subtrair recursos da economia oficial", afirma o estudo da GFI.
"O grande problema da economia subterrânea, do ponto de vista do governo, é que você deixa de arrecadar impostos. Com isso, o Estado tem menos dinheiro para investir", diz o pesquisador do BRICS Policy Center e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Paulo Wrobel.

Fluxo Ilegal

O estudo inédito da GFI revelou que, em 53 anos, as saídas ilícitas de dinheiro do País somaram US$ 401,6 bilhões, o que correspondeu, em uma média anual, a 38,9% da economia oficial do País.

Essas saídas ilícitas aumentaram de uma média anual de 1,49% do PIB na década de 1960 para 1,71% nos anos de 1980, antes de recuarem para 1,54% do PIB na década encerrada no ano de 2009.

Elas se mantiveram em um nível de cerca de 1,47% do PIB nos três anos mais recentes, entre 2010 e 2012.

O economista-chefe da GFI e autor da pesquisa, Dev Kar, explica que, para estimar essas movimentações, formulou modelos estruturais e comportamentais com base em dados colhidos no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional (FMI), além de fontes do governo brasileiro.

Esses levantamentos mostraram que cada aumento de 1% nos fluxos financeiros ilícitos do País, relaciona-se a 0,83% na fuga geral de capitais. Além disso, em média, os fluxos ilícitos representam cerca de 68% de todas as fugas de capitais.

Exportação

A pesquisa concluiu também que a maior parte das saídas ilegais ocorre através do super ou subfaturamento comercial, principalmente, por meio de operações de exportação. Entre 1960 e 2012, a fuga de capital por meio de subfaturamento totalizou US$ 372,3 bilhões.

"Esse é um dos mecanismos utilizados, muitas vezes, por empresas multinacionais com filiais no Brasil. Essas exportam colocando um preço menor a bens muito mais valiosos", diz o presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), Heráclio Camargo.

Outra forma de o dinheiro sair ilegalmente do Brasil é por meio do balanço de pagamentos, que correspondeu, entre 1960 e 2012, a uma soma de US$ 29,4 bilhões, de acordo com a GFI.

Autor: Paula Salati
Fonte: DCI