Brasil

Desvalorização de imóvel comercial vai a 8,6%

27/08/2014

Economia mais fraca e pessimismo derrubam o valor do metro quadrado

A economia fraca sentida no primeiro semestre, marcada pelo recuo da projeção do PIB para 1% este ano e pela inflação acima de 6,5%, já impacta o mercado de imóveis comerciais. Segundo pesquisa da Cushman & Wakefield, passada com exclusividade ao DCI, a desvalorização do valor do aluguel de imóveis comerciais chegou a 8,6% no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2013, pressionado pelo alto estoque e pouca perspectiva de melhora da economia do empresariado brasileiro.

De acordo com os dados da consultoria, o valor do metro quadrado caiu 4% na comparação do segundo trimestre do ano, ante ao primeiro trimestre. "É possível dizer que o alto volume de estoque ainda exerça forte pressão no empresário. Com medo da economia, e às vésperas de uma eleição presidencial, o incorporador prefere alugar a sala em contratos mais longos por preços ainda menores", explicou o professor de macro economia e mercado imobiliário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG), César Rizzo.

A visão do professor é que até 2015 há uma forte inclinação de preços em baixa. "Prevemos mais uns quatro ou cinco meses de queda nos preços, até que os estoques [hoje em cerca de 17% dos espaços] caia pelo menos seis pontos percentuais", completou.

A pesquisa da Cushman & Wakefield vem em linha com a afirmação de Rizzo. "A velocidade desta absorção, porém, será um fator importante nesta retomada de valorização" dizia o estudo.

No fechamento do primeiro semestre, a Cushman & Wakefield apurou redução de 1,7% nos estoques de imóveis comerciais nas principais capitais brasileiras. "Parte desta queda é evidenciada pela absorção líquida [diferença entre os espaços ocupados entre dois trimestres] de grandes áreas em mercados concentrados principalmente nos estados de São Paulo [68%] e Paraná [26%]", aponta a pesquisa.

Oportunidades no Sul

Segundo Rizzo, o mercado imobiliário no Sul do País ainda possui forte demanda, e há espaço para empresas da construção. "Independentemente da economia, o Sul ainda tem uma demanda reprimida grande. Enquanto muitos empresários migram para o Nordeste a fim de novos mercados, poucos apostam no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina", diz o acadêmico da UFRG. Exemplo de bom momento, a paranaense Construtora Íris, incorporou três empreendimentos comerciais no Sul este ano, todos, com vendas de 95% no lançamento. "Escolher o local é a base para um negócio bem sucedido. Procuramos locais com grande movimentação comercial e pouca infraestrutura imobiliária", explicou ao DCI, o diretor-geral da empresa, José Almeida.

O empresário, que possui terrenos com Valor Geral de Vendas (VGV) de quase R$ 1 bilhão, projeta quatro novos empreendimentos até 2015.

Galpões em alta

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a aposta dos empresários são condomínios logísticos. "A expansão do e-commerce e a pressão do mercado para que as varejistas entreguem seus produtos em prazos cada vez menores, impulsiona os centros de distribuição", explicou Rizzo.

Foi de olho nesse mercado que o empresário Carlos Henrique Grosso, que soma mais de 30 anos de experiência em departamentos de distribuição de grandes varejistas, resolveu abrir seu primeiro condomínio logístico. Localizado em Betim (MG), o projeto nem foi lançado e já possui todos os galpões locados. "Vi uma enorme carência das empresas de varejo no quesito distribuição. Foi uma oportunidade e o resultado foi surpreendente", disse.

O condomínio, que deve ser lançado em maio de 2015, carrega o nome de CHG Express, mesmo nome da empresa de Grosso. "Esperamos iniciar mais um condomínio no próximo ano, mas antes, preciso conversar com as redes varejistas - e potenciais clientes - para entender quais são as demandas e quais locais há mais carência de galpões", explicou.

Quem também aposta nesse mercado é a GR Properties, do empresário Guilherme Rossi, filho de João Rossi da construtora Rossi. Este ano, a empresa investiu R$ 375 milhões na incorporação de seis condomínios logísticos na Grande São Paulo e interior. "Nos últimos anos foram realizadas diversas concessões de aeroportos, ferrovias e rodovias por parte do governo federal. Esse foi um dos fatores que nos estimulou a realizar o amplo investimento em condomínios logísticos no Estado de São Paulo", explicou Guilherme Rossi.

Para o executivo, a confiança em investir nesse segmento se apoia na demanda reprimida do setor. "Não há o que se temer, haja vista que um dos setores que mais crescem na economia é o e-commerce. Com o constante aumento de vendas, certamente essas empresas precisarão de áreas para armazenar os estoques de seus produtos. Por isso, acredito que os níveis de demanda e oferta deverão se ajustar a partir de 2015".

Maiores mercados

Em São Paulo, segundo a Cushman & Wakefield, a taxa de vacância ficou em 17,4% no segundo trimestre do ano, uma queda de 1,9 ponto percentual ante ao primeiro trimestre de 2014. O novo estoque entregue no trimestre em São Paulo foi de 179 mil m². Diferentemente do primeiro trimestre, que se concentrou em uma única região, Guarulhos (60%), o maior volume do novo estoque entregue neste trimestre ficou distribuído entre as regiões de Jundiaí (34%), RMSP Oeste (19%) e Ribeirão Preto (18%).

No Rio de Janeiro, a taxa de vacância foi de 10,1% no segundo trimestre e apresentou um recuo de 0,6 p.p. em relação ao primeiro trimestre. "A absorção bruta nas regiões Dutra e Itatiaia representaram 50% e 30%, respectivamente de todo estoque do que foi absorvido", detalhava o estudo.

Fonte: DCI
Autor: Paula Cristina